Uma investigação da CNN revelou que os EUA e Israel tentaram desativar um grande número de munições iranianas, incluindo seus lançadores de mísseis, bombardeando as entradas de instalações subterrâneas.
A CNN analisou imagens de satélite de 32 bases de mísseis iranianas, a maioria delas enterradas em montanhas, e constatou que todas foram atingidas por ataques aéreos, geralmente direcionados a entradas de túneis, edifícios na superfície ou cruzamentos de estradas.
Pelo menos 77% das 107 entradas de túneis analisadas pela CNN foram bombardeadas.
As imagens de satélite também registraram pelo menos 15 lançadores de mísseis destruídos nas bases. Uma campanha aérea acelerada dos EUA e de Israel busca desativar as cidades subterrâneas, onde o Irã planejava recarregar os lançadores de mísseis em segurança, antes de expulsá-los para disparar contra posições americanas e de seus aliados no Oriente Médio, afirmam especialistas.
Os EUA e Israel não possuem o arsenal necessário para “desmantelar completamente essas instalações, e é precisamente por isso que elas são construídas em montanhas”, disse Ankit Panda, especialista em segurança da Carnegie Endowment for International Peace.
“Os Estados Unidos e Israel têm sido eficazes em confinar as capacidades de mísseis e drones do Irã dentro dessas cidades altamente resistentes”, disse Panda.
“Isso afetou significativamente sua capacidade de realizar um alto ritmo de lançamentos de mísseis”, acrescentou.
Os lançamentos de mísseis e drones do Irã caíram mais de 90% desde o início da guerra, mas especialistas alertam que eles parecem ser capazes de sustentar ataques contra alvos estratégicos, como navios que transitam pelo Estreito de Ormuz.
Estimativas anteriores à guerra sugeriam que o Irã possuía milhares de mísseis balísticos, mas apenas algumas centenas de lançadores capazes de dispará-los. Isso representava um gargalo, agravado pela campanha dos EUA e de Israel.
A análise da CNN encontrou evidências de reparos em algumas das entradas de túneis destruídas. Em uma base ao norte de Isfahan, imagens de satélite mostraram equipamentos de construção desenterrando uma entrada bloqueada menos de 48 horas após o bombardeio.
“Vocês continuarão a ver alguns lançamentos”, disse Sam Lair, pesquisador associado do Centro James Martin de Estudos de Não Proliferação.
“Não acho que eles vão desaparecer, mas acredito que continuarão a diminuir lentamente”, afirmou Lair.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.
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Fonte : CNN