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O Irã começou a instalar minas no Estreito de Ormuz, o ponto de estrangulamento energético mais importante do mundo, responsável por cerca de um quinto de todo o petróleo bruto, segundo duas pessoas familiarizadas com relatórios da inteligência americana sobre o tema.

A instalação de minas ainda não é extensa, apenas algumas dezenas foram colocadas nos últimos dias, disseram as fontes. Mas o país mantém entre 80% e 90% de suas pequenas embarcações e equipamentos para lançamento de minas, segundo uma das fontes, portanto, suas forças poderiam, de fato, instalar centenas de minas na hidrovia.

O Comando Central dos Estados Unidos divulgou um vídeo na terça-feira (10) afirmando mostrar ataques a embarcações e navios lança-minas iranianos.

O Exército dos EUA “eliminou” 16 navios lança-minas iranianos perto do Estreito de Ormuz na terça-feira, disse o Comando Central dos EUA em um comunicado, enquanto o presidente Donald Trump alertava que quaisquer minas lançadas pelo Irã no Estreito devem ser removidas imediatamente.

Guarda Revolucionária iraniana possui dezenas de lanchas rápidas, leves e bem armadas, que podem ser mobilizadas rapidamente no Estreito de Ormuz. Estas embarcações, embora vulneráveis por sua falta de blindagem, representam uma ameaça pela quantidade e mobilidade.

As minas navais, utilizadas como parte da estratégia iraniana, são dispositivos que representam grande risco para navios petroleiros avaliados em milhões de dólares. O país domina toda a costa norte do estreito, onde mantém lançadores de mísseis avançados capazes de atingir navios americanos.

Entenda o que são as minas navais utilizadas pelo Irã

Segundo o Centro Robert Strauss para Segurança e Direito Internacional, da Universidade do Texas nos Estados Unidos, as minas navais são usadas para incapacitar os recursos navais de um alvo ou para direcionar o inimigo por uma rota diferente. O centro também explica que esse tipo de arma causou 77% das baixas de navios dos Estados Unidos desde 1950.

As minas navais normalmente têm de cem a mais de duas mil libras de explosivos de alta potência e podem ser lançadas de diferentes tipos de veículos.

O centro explica que após ser detonada, a mina causa uma explosão subaquática gerando uma energia destrutiva que se divide entre uma bolha de gás em expansão e uma onda de choque.

A diferença de pressão entre a bolha de gás e a água cria rapidamente um vácuo, ou buraco, que faz o gás em expansão ser lançado rapidamente para cima.

Se uma embarcação estiver diretamente acima dessa diferença de pressão, a bolha de gás atinge violentamente o fundo da embarcação. A explosão inicial também cria “ondas de choque” que podem danificar uma embarcação, componentes eletrônicos ou mecânicos sensíveis em seu interior.

Como as minas são ativadas

As minas de contato são consideradas as mais fáceis de usar; elas são acionadas quando uma embarcação entra em contato ou fica muito próxima dela na água.

Já as minas de influência são consideradas mais complexas e tecnicamente avançadas, pois não precisam de contato físico para serem acionadas. Elas usam sensores capazes de detectar características específicas da embarcação alvo.

Segundo centro, o Irã também pode usar as minas ascendentes, que são um tipo especial de mina de influência. Ao serem acionadas, essas minas disparam um projétil com ogiva contra o alvo. Elas tendem a ser usadas em águas mais profundas.

Tanto as minas de contato quanto as de influência podem ser controladas remotamente, explica a universidade.

Navios de guerra ou lanchas de patrulha são capazes de lançar essas minas. Embarcações não convencionais, como pequenos barcos de pesca, também podem lançá-las dependendo do tamanho.

Submarinos também podem usar seus tubos de torpedo para lançar algumas minas.

Os explosivos também podem ser lançados na água por via aérea, por meio de aeronaves de asa fixa ou rotativa. 

Arsenal de minas do Irã

Um relatório do Congresso dos Estados Unidos, publicado em 2025, estima que o Irã possua um arsenal estimado entre 5 mil e 6 mil minas navais.

O documento, publicado após o conflito de 12 dias entre Irã, Israel e EUA em junho de 2025, explorou o impacto do conflito nos mercados de petróleo e gás, considerando as interrupções no Estreito de Ormuz.

O documento afirma que, em 2019, se acreditava que Teerã possuía um arsenal de mais de 5 mil minas navais. As estimativas para 2025 apontam para um número ligeiramente maior, em torno de 6 mil.

Conforme o relatório americano, o Irã possui uma variedade de armas subaquáticas, incluindo minas de fixação magnética, que podem ser acopladas ao casco de um navio; minas ancoradas, que flutuam sob a superfície da água e explodem ao entrar em contato com uma embarcação; e minas de fundo, que ficam no leito marinho e detonam ao detectar uma embarcação próxima.

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Fonte : CNN

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