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Grande parte da divergência entre os Estados Unidos e o Irã gira em torno da insistência do Irã em enriquecer urânio em seu próprio território. O urânio é um combustível usado em usinas nucleares, mas, quando enriquecido a níveis muito altos, pode ser usado para fabricar armas nucleares.

O Irã argumenta que tem o direito de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos, incluindo o enriquecimento, e que não deve ser discriminado ou privado da tecnologia que outras nações possuem.

Os Estados Unidos reconhecem o direito do Irã à energia nuclear civil, mas não confiam nas garantias de Teerã de que seu programa de enriquecimento permanecerá pacífico.

Saiba o que pode estar motivando a recusa do Irã em ceder:

Orgulho e soberania nacional

Para Teerã, o programa nuclear está ligado à sua identidade como nação moderna. O Irã é um país de 92 milhões de habitantes com uma civilização de 2.500 anos que outrora rivalizou os antigos gregos e romanos. Sua autoimagem histórica é a de uma grande potência civilizacional, não a de um Estado periférico passível de pressão por outras nações.

Dominar a tecnologia nuclear, portanto, não é apenas uma conquista técnica, mas uma prova da soberania do Irã e de seu avanço ao nível das potências globais.

“Se o Irã abandonasse completamente o enriquecimento de urânio, os linha-dura provavelmente interpretariam isso como uma rendição, especialmente se o alívio das sanções fosse limitado”, disse Sanam Vakil, do think tank Chatham House, com sede em Londres.

Dissuasão e alavancagem

Mesmo que o Irã seja sincero em suas declarações de que jamais buscará desenvolver uma bomba atômica, o enriquecimento de urânio lhe confere uma poderosa vantagem estratégica como um Estado com capacidade nuclear, isto é, um Estado com a possibilidade de construir uma arma, caso assim o deseje. Na visão de Teerã, sua capacidade de mudar de ideia rapidamente é uma forma de evitar coerção ou ataques de seus adversários.

O Irã demonstrou isso após a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, enriquecendo gradualmente urânio a níveis muito superiores aos necessários para a geração de energia civil. A mensagem implícita para Washington foi clara: o acordo de 2015 impunha limites internacionalmente verificáveis ​​ao enriquecimento de urânio pelo Irã e, sem ele, esses limites deixavam de existir.

Mas essa estratégia saiu pela culatra. Em vez de levar Washington a retomar um acordo, acabou provocando um ataque surpresa de Israel em junho de 2025 e os primeiros ataques militares diretos dos Estados Unidos em território iraniano.

A guerra de verão de 12 dias “provavelmente forçou Teerã a reavaliar essa premissa”, disse Danny Citrinowicz, pesquisador sênior do Programa Irã e o Eixo Xiita do Instituto de Estudos de Segurança Nacional em Tel Aviv, Israel. “A escala e a precisão dos ataques dos Estados Unidos e de Israel demonstraram que o status de zona limítrofe não imuniza o Irã contra ações militares.”

Ainda assim, é improvável que Teerã abandone seu programa nuclear, afirmou Danny Citrinowicz, pesquisador sênior do Programa Irã e o Eixo Xiita do Instituto de Estudos de Segurança Nacional em Tel Aviv, Israel. Do ponto de vista israelense, “abandonar o programa nuclear por completo exporia o Irã a futuras coerções e possíveis ataques”.

Ataques neste sábado (28)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os ataques do país com Israel contra o Irã neste sábado (28). Trump descreveu a campanha militar como “massiva e contínua”, acrescentando que vidas americanas podem ser perdidas como resultado.

Trump afirma que o objetivo da ofensiva é “defender o povo americano” do que chamou de “ameaças do governo iraniano”. Em um vídeo publicado na rede social Truth Social, o presidente dos EUA disse que irá destruir os mísseis do Irã e garantir que o país do Oriente Médio não terá armas nucleares.

Um oficial israelense afirmou que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi alvo do ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao país iraniano neste sábado. A informação também foi confirmada à CNN por duas fontes próximas à operação militar.

Como resposta, o Irã atacou bases americanas nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait. Outros países atingidos até o momento são Jordânia e Iraque. Segundo a equipe da CNN, é um ataque sem precedentes no Oriente Médio.

Uma pessoa morreu após ser atingida por destroços em uma área residencial de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

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Fonte : CNN

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