Após cerca de dez dias de intensificação do conflito no Oriente Médio, especialistas alertam para um novo efeito colateral da guerra: a ocorrência de “chuva ácida” e “chuva preta” em áreas do Irã após bombardeios contra infraestruturas ligadas ao setor de petróleo.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os episódios foram registrados na capital Teerã após ataques que atingiram depósitos de petróleo na região. A queima e a dispersão de combustíveis liberaram grandes quantidades de poluentes na atmosfera, que acabaram sendo incorporados às chuvas.
De acordo com o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, o fenômeno representa um risco real à saúde da população. “A chuva ácida e a chuva preta que têm caído em Teerã representam, de fato, um perigo”, afirmou o representante da agência da ONU a jornalistas em Genebra.
Como a chuva ácida se forma
A chamada chuva ácida ocorre quando gases liberados na atmosfera — principalmente óxidos de enxofre e compostos de nitrogênio — entram em contato com partículas de água presentes no ar. Nesse processo químico, esses gases são transformados em ácidos fortes, como ácido sulfúrico e ácido nítrico, que acabam precipitando junto com a chuva.
Embora a chuva comum já tenha leve acidez devido ao dióxido de carbono presente na atmosfera, a presença de poluentes industriais ou resultantes de combustão pode aumentar drasticamente esse nível. Em áreas altamente poluídas, medições de pH podem atingir níveis extremamente baixos.
No caso do conflito no Oriente Médio, a preocupação é que a destruição de instalações petrolíferas esteja liberando hidrocarbonetos tóxicos, óxidos de enxofre e compostos nitrogenados, que favorecem a formação dessas precipitações contaminadas.
Riscos à saúde e ao meio ambiente
A OMS também monitora o impacto da chamada “liberação maciça” de poluentes atmosféricos após os ataques. Além da chuva ácida, há preocupação com a contaminação do ar, da água e do solo.
Segundo especialistas, a exposição prolongada a esses poluentes pode provocar problemas respiratórios, irritação nos olhos e na pele, além de impactos mais duradouros na qualidade da água e da agricultura.
Ataques a instalações petrolíferas também foram relatados em países vizinhos, como Bahrein e Arábia Saudita, o que levanta preocupações sobre uma possível disseminação regional da poluição atmosférica.
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Fonte : CNN