A relação entre canetas emagrecedoras e pancreatite tem gerado preocupação. No início da semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta para reforçar os riscos associados a esses medicamentos.
A agência apontou seis mortes por pancreatite possivelmente relacionadas ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil, entre os anos de 2020 e 2025, e reforçou a importância do acompanhamento médico durante o tratamento.
Para esclarecer as dúvidas sobre esse tema, a endocrinologista Cláudia Cozer Kalil, do Hospital Sírio-Libanês, explicou à CNN Brasil os riscos associados às canetas emagrecedoras e como utilizá-las com segurança.
As canetas emagrecedoras, que começaram a ser introduzidas em 2010 com a liraglutida (Victosa), são medicamentos eficazes para controle de diabetes e, posteriormente, foram autorizadas para controle de peso. Segundo a especialista, as versões mais modernas dessas canetas apresentam menos efeitos colaterais e maior efetividade, mas é fundamental seguir critérios específicos para seu uso.
“É uma medicação que traz muitos benefícios, mas tem critérios de uso. O principal critério é que a pessoa tenha indicação pelo diabetes ou pela obesidade, que já é uma condição de maior risco dessa pessoa desenvolver pancreatite”, explica Cláudia Kalil.
A endocrinologista ressalta que pessoas obesas frequentemente apresentam triglicérides elevados, maior consumo de álcool e maior incidência de cálculos biliares – todos fatores que aumentam o risco de inflamação pancreática.
O que é pancreatite e como se relaciona com as canetas?
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode se manifestar de forma aguda ou crônica. A forma aguda é caracterizada por dor abdominal forte, náuseas, vômitos e alterações nas enzimas pancreáticas.
“Essa inflamação pode gerar a morte desse órgão e até a morte da pessoa por uma infecção generalizada”, alerta a médica.
Pessoas com histórico de pancreatite, triglicérides muito elevados (acima de mil) e consumo frequente de álcool são consideradas pacientes de risco para usar as canetas emagrecedoras. A especialista esclarece que, como a própria caneta tem um mecanismo de ação pancreática, ela pode causar inflamação no pâncreas se administrada abruptamente e em dose alta.
A endocrinologista recomenda começar com doses baixas e aumentá-las gradualmente. “Às vezes eu tenho que tratar o triglicérides junto com o início da utilização da caneta, eu tenho que reduzir a ingestão de álcool para usar a caneta”, explica. Outro ponto importante destacado pela médica é que, se o paciente interromper o uso da medicação e depois retomá-lo, não deve voltar com a mesma dose alta anterior, pois isso pode sobrecarregar o pâncreas.
Obesidade como doença e uso prolongado das canetas
Cláudia Cozer defende que a obesidade seja tratada como uma doença metabólica grave, desmistificando a ideia de que pessoas com excesso de peso não conseguem emagrecer por falta de força de vontade. “Tem a genética, tem a tendência, tem a dificuldade. Tem famílias ou pessoas que comem muito e não engordam, e tem pessoas que comem pouco e não conseguem emagrecer”, afirma Claúdia Kalil.
Quanto à duração do tratamento, a especialista esclarece que, diferentemente dos pacientes diabéticos, que provavelmente precisarão usar a medicação por longo período, pessoas com obesidade podem reduzir gradualmente a dose quando atingirem o peso adequado. “Quando você chega no peso que para você está adequado, está estável, e você já não precisa tanto do efeito da caneta, eu reduzo essa caneta na dose mínima e espaço o uso”, conclui a médica.
A endocrinologista reforça a importância do acompanhamento médico regular durante todo o tratamento com canetas emagrecedoras para monitorar possíveis efeitos colaterais e ajustar as doses conforme necessário, garantindo assim a segurança e eficácia do tratamento.
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Fonte : CNN