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A startup brasileira Alya Space, sediada em Salvador, negou as acusações feitas por autoridades dos Estados Unidos de que estaria colaborando com a China para a vigilância de adversários e potencialmente fortalecer as capacidades militares de Pequim.

As alegações foram feitas no relatório “Atraindo a América Latina para a órbita da China” publicado recentemente por um comitê da Câmara dos EUA.

A investigação feita por deputados americanos aponta que a China teria construído uma rede de infraestrutura espacial em toda a América Latina. O documento cita dois casos em território brasileiro.

Um deles é a “Tucano Ground Station” (Estação Terrestre Tucano), que o comitê alegou ser uma joint venture entre a Alya Space e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology.

O que o relatório dos EUA alega

O documento cita um memorando firmado entre as empresas que, segundo o comitê, garantiria “troca de dados operacionais entre suas respectivas instalações por meio de suas redes de antenas” e permitiria um aprimoramento de ativos espaciais civis e militares.

O comitê ainda aponta um acordo com a FAB (Força Aérea Brasileira) “que inclui o treinamento de militares em simulação orbital e a utilização de antenas da Força Aérea como backup”.

“Essa integração fornece à República Popular da China (RPC) um canal para observar e influenciar a doutrina espacial militar brasileira, ao mesmo tempo que estabelece uma presença permanente em uma região vital para a segurança nacional dos EUA”, afirma o relatório.

Em comunicado enviado à CNN, a FAB afirmou, por meio do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), que “houve, entre 2020 e 2022, um Memorando de Entendimento entre a Instituição e a empresa Alya Satélite e Produção de Fotografias Aéreas Ltda, com a intenção de firmar uma parceria para atividades de calibração radiométrica de sensores ópticos de imageamento”.

“No entanto, não houve acordo para renovação do memorando”, concluiu o comunicado.

À CNN, fundadora da empresa rejeita acusações dos EUA

A fundadora e CEO da Alya Space, Aila Raquel, negou a alegação dos deputados americanos de que a estação seja uma joint venture com uma empresa chinesa.

“O que ocorreu foi apenas a assinatura de um Memorando de Entendimento (MOU), instrumento preliminar utilizado para avaliação de possíveis cooperações técnicas. Este MOU não evoluiu para contrato definitivo, não deu origem a joint venture nem operação comercial, e sua vigência já se encerrou”, afirmou em comunicado à CNN.

Ela acrescentou que a Estação Terrestre Tucano não possui atualmente nenhuma instalação física, está em fase final de licenciamento pela Anatel e só entrará em construção e operação “após a conclusão dos trabalhos de conformidade e fiscalização dos equipamentos que serão utilizados”.

“Após a finalização de todo o processo de licenciamento e construção, a estação estará sob controle e comando exclusivo da Alya Space, sem participação de qualquer outra empresa, e com todas as medidas de segurança cibernética adotadas em conformidade com as normas nacionais e internacionais aplicáveis ao seu uso”, disse.

CNN entrou em contato com a Anatel, mas a agência afirmou que, no momento, não irá comentar o tema.

A CEO da Alya Space também explicou à CNN que a empresa está sediada em Salvador, atua no setor espacial e foi fundada no final de 2019 “dedicada ao desenvolvimento de soluções espaciais sustentáveis voltadas ao monitoramento ambiental, análise territorial e apoio à tomada de decisão estratégica por meio do uso responsável da tecnologia espacial”.

Ela pontuou que a empresa está desenvolvendo uma constelação de satélites e possui as licenças de operação para o lançamento de 216 satélites em órbita baixa da Terra. Os satélites, segundo a fundadora da empresa, serão destinados “à geração de imagens de alta resolução e dados analíticos aplicados a áreas como agricultura sustentável, resiliência climática, energia e gestão ambiental”.

No momento, as atividades da empresa estão em etapa de pesquisa e desenvolvimento, com operação comercial prevista para o ano que vem.

“As interpretações que associam a empresa a atividades secretas de vigilância estratégica ou aplicações militares não refletem sua atuação. A Alya Space opera sob princípios estritamente civis, comerciais e alinhados às legislações nacionais e internacionais aplicáveis”, destacou.

“A empresa permanece à disposição das autoridades, parceiros institucionais e da sociedade para quaisquer esclarecimentos adicionais, reiterando que todas as suas atividades são conduzidas dentro dos marcos legais vigentes e orientadas ao desenvolvimento sustentável da economia espacial e ao benefício coletivo da humanidade”, concluiu.

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Fonte : CNN

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