O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira (16) que tribunal deve buscar a autoconteção e que a Constituição Federal não pode ser usada como um “cardápio de argumentos” disponíveis para defender qualquer decisão ou tese de interesse.
De acordo com ele, o papel do STF em interpretar e aplicar a Constituição exige responsabilidade, e só funciona quando os ministros levam a tarefa a sério como compromisso com a justiça e não apenas como discurso.
“A autocontenção não é fraqueza; é respeito à separação de poderes que, em última análise, é ela própria uma exigência constitucional. […] Ninguém tem uma Constituição para chamar de sua. Ela é um projeto coletivo”, afirmou Fachin durante palestra a estudantes de direito em universidade de Brasília.
O ministro disse ainda que o povo brasileiro deseja um Estado eficiente e honesto dentro de um ambiente de estabilidade democrática e respeito às instituições, e afirmou que isso passa diretamente pela imagem que os sistemas de justiça deixam à população.
As declarações de Fachin se dão em meio a uma das maiores crises de credibilidade do Supremo. Envolvimentos financeiros e pessoais dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o caso do Banco Master, investigado por fraudes financeiras, repercutiram nos últimos meses, aumentando a desconfiança sobre a integridade das decisões da Corte.
A esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci, teria mantido um contrato de R$ 129 milhões com Daniel Vorcaro, dono do banco. Além disso, mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro mostram uma suposta troca de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Já Toffoli é sócio da empresa Maridt, que vendeu participação no Resort Tayayá ao Fundo Arleen, ligada à teia empresarial do Banco Master, e também teria relacionamento pessoal com investigados no caso.
Além disso, Moraes também passou a ser criticado pela atuação como relator no chamado inquérito das Fake News, que apura ataques às instituições democráticas e atuação de redes organizadas de desinformação.
O processo é um dos que tramita há mais tempo na Corte. Ele foi aberto por Toffoli de ofício, sem provocação externa à Corte, e teve Moraes designado relator diretamente por ele, sem o sorteio que normalmente define a relatoria.
Recentemente, por consequência desse inquérito estar sob sua relatoria, Moraes determinou operação contra servidores da Receita Federal suspeitos de vazar os dados da sua esposa e ordenou busca e apreensão contra um jornalista do Maranhão que apontou suposto uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino.
A crise da Corte reacendeu o debate sobre um código de ética para ministros do STF, defendido há tempos pelo presidente Fachin. No início deste ano, mesmo sem apoio dos colegas, o ministro deu andamento à proposta e designou Cármen Lúcia como relatora do texto.
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Fonte : CNN