O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (3) que o debate sobre mudanças na jornada de trabalho no Brasil, incluindo o fim da escala 6×1, seja conduzido por meio de negociação entre trabalhadores, empresários e governo.
A declaração foi feita durante a abertura da II Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo.
A proposta em discussão prevê o fim da escala 6×1, de seis dias de trabalho seguidos por um de descanso, e a adoção de modelos com no máximo cinco dias de trabalho por semana, como a jornada 5×2.
Durante o discurso, Lula adotou um tom conciliador e afirmou que a definição de jornadas precisa considerar as diferenças entre categorias profissionais, já que nem todos os setores funcionam da mesma forma.
“O que eu pondero aos dirigentes sindicais e aos empresários é que a gente precisa conversar. Sentar trabalhadores, empresários e governo e estabelecer um princípio de jornada de trabalho”, afirmou.
Segundo o presidente, a discussão não deve partir da ideia de uma regra única para todo o mercado de trabalho. Para ele, cada atividade pode ter uma realidade diferente.
“Não será a mesma jornada para todo mundo. Pode até ser diferenciada por categoria, em função da realidade de cada categoria”, disse.
Lula citou como exemplo as diferenças entre setores da economia, indicando que as condições de trabalho de um motorista de aplicativo, por exemplo, são distintas das de um trabalhador de indústria metalúrgica.
O presidente também afirmou que o mundo do trabalho mudou e que as novas gerações têm expectativas diferentes sobre a jornada.
“O moleque que tem 16, 17 anos hoje não gostaria de ter a mesma jornada de trabalho que eu tinha”, declarou.
Ao abordar o tema, Lula reforçou a importância da negociação coletiva e disse que mudanças estruturais nas relações de trabalho exigem diálogo entre as partes.
“Eu negociei muitos anos. Sei como funciona. Quando trabalhadores, empresários e governo sentam para conversar de verdade, a gente consegue evoluir”, declarou.
Ainda de acordo com o presidente, o debate sobre o fim da escala 6×1 deve seguir no Congresso Nacional, onde eventuais mudanças na legislação trabalhista precisarão ser discutidas.
No mesmo evento, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, adotou um tom mais firme ao defender a proposta.
Tebet afirmou que dizer que o Brasil quebraria com o fim da escala 6×1 demonstra desconhecimento da realidade do país e citou estudos do governo que indicam que a mudança é viável sem redução salarial.
(Com informações de Alan Cardoso, da CNN Brasil, em São Paulo)
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Fonte : CNN