Em um vídeo com teor antissemita publicado nas redes sociais, o escritor Jessé Souza associou o caso do agressor sexual Jeffrey Epstein ao que chamou de “lobby judaico”.
No vídeo publicado no Instagram, o sociólogo chegou a afirmar que “Epstein é o produto mais perfeito do sionismo judaico” e disse que o magnata “não só foi financiado pelo lobby judaico […], mas o sionismo é a força motriz por trás de todos os crimes que foram cometidos”.
Por conta da repercussão da fala, Jessé apagou a gravação na última segunda-feira (9).
Após a publicação, a Conib (Confederação Israelita do Brasil) se manifestou e afirmou que é “lamentável que Jessé use a sua projeção na vida acadêmica e nas redes sociais como plataforma para disseminação de conceitos carregados de ódio contra judeus”.
O caso envolve o empresário americano Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado, que morreu em 2019 dentro da prisão. Ele comandava, ao lado da ex-namorada, Ghislaine Maxwell, uma rede internacional de exploração e tráfico sexual de menores.
Segundo a Conib, Jessé Souza associou a responsabilidade das ações de Epstein ao grupo étnico-religioso a partir do uso de termos como “sionismo judaico”, “lobby judaico”, “supremacismo judaico” e “Holocausto judeu cafetinado pelo sionismo”.
“Flagrado, retirou o conteúdo do ar e o substituiu por um novo ataque aos judeus, agora demonizando “apenas” os sionistas (termo que se refere à defesa da autodeterminação do povo judaico e o direito a um Estado)”, afirmou a confederação.
Procurado pela CNN Brasil, o escritor afirmou em nota que “não acusou indivíduos ou coletividades, mas a uma ‘estrutura de poder'”. Souza ainda lamentou o ocorrido e afirmou e que “errou ao não separar devidamente as expressões ‘lobby sionista’ e ‘judaico'”.
Ainda de acordo com Jessé Souza, “o vídeo foi retirado do ar assim que percebeu o erro”. Por fim, Souza reafirma o seu repúdio a toda ação de discriminação”.
Entenda o que são os “Arquivos de Epstein”
Durante as investigações e o processo sobre tráfico sexual contra Jeffrey Epstein e sua cúmplice e ex-namorada Ghislaine Maxwell, os procuradores federais reuniram milhões de documentos.
Os “Arquivos de Epstein” contêm mais de 300 gigabytes de dados, documentos, vídeos, fotografias e áudios armazenados no principal sistema eletrônico de gerenciamento de casos do FBI, a agência federal de investigações dos EUA, o “Sentinel”.
Esses registros incluem relatórios de investigação e documentos da apuração original do FBI em Miami.
A maior parte dos registros viria da segunda investigação realizada pelo escritório do FBI em Nova York, incluindo memorandos sobre a apuração e possíveis alvos, locais a serem revistados e centenas de páginas de “formulários 302”, que são os documentos que os agentes usam para registrar o que testemunhas, vítimas e suspeitos disseram em entrevistas com os investigadores.
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(Com informações de Estadão Conteúdo)
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Fonte : CNN