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Em Manaus (AM), a mobilidade que garante o direito à educação não passa por avenidas ou trilhos – ela navega.

Em uma cidade moldada pelos ciclos do rio Negro e do Amazonas, a prefeitura transformou as hidrovias em corredores estratégicos de acesso à escola, conectando assim comunidades isoladas a um sistema educacional que respeita o clima, a distância e a vida amazônica.

Calendário adaptado ao território

O início do ano letivo de 2026 nas áreas ribeirinhas consolida esse modelo: 48 escolas atendidas via rios, 2.519 alunos matriculados e um calendário desenhado para não ser interrompido pelas cheias.

A operação é conduzida pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), e parte de um princípio simples e raro no Brasil: adaptar a política pública ao território — e não o contrário.

Entre 7 de janeiro e 14 de outubro, o calendário ribeirinho antecipa períodos críticos do regime das águas, assegurando transporte regular, cumprimento da carga horária e continuidade das aulas.

Das unidades, 29 estão ao longo do Rio Negro e 19 no Rio Amazonas, atendendo da educação infantil à EJA, o que exige planejamento logístico diário em um dos maiores desafios de mobilidade educacional do país.

A engrenagem que sustenta esse sistema começa antes da primeira aula. Uma semana antes do início do período letivo, duas balsas deixam a zona urbana levando a merenda escolar que garantirá 30 dias de alimentação às escolas ribeirinhas.

Para o Rio Negro, são 19 toneladas de alimentos; para o rio Amazonas, 10 toneladas, incluindo itens básicos e proteínas como carne, frango e peixe, além de polpas de frutas — com o mesmo padrão nutricional das escolas urbanas. Em alguns trajetos, a entrega leva até cinco dias para alcançar a comunidade. Ainda assim, o fluxo não para.

“O maior desafio da educação ribeirinha é logístico. Quando organizamos o transporte fluvial, antecipamos o calendário e garantimos abastecimento regular, estamos criando um sistema de mobilidade que sustenta a permanência do aluno na escola, independentemente da cheia ou da distância”, explica o prefeito David Almeida.

 

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Fonte : CNN

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