Um e-mail divulgado recentemente parece confirmar a autenticidade de uma fotografia do então príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, do Reino Unido, com Virginia Giuffre, uma das vítimas da rede de tráfico sexual de Jeffrey Epstein.
O ex-príncipe sempre negou as acusações de ter abusado sexualmente de Giuffre quando ela era adolescente e já havia questionado se a foto havia sido manipulada.
Mas, no conjunto de novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na semana passada, há um e-mail de 2015 para Epstein, supostamente enviado pela ex-namorada e cúmplice dele, Ghislaine Maxwell, que sugere que a imagem de Andrew e Giuffre é real.
A mensagem tinha como título “rascunho de declaração” e foi enviada por uma pessoa chamada “G. Maxwell” a Epstein em janeiro de 2015.
“Foi em Londres que (nome omitido) encontrou-se com alguns amigos meus, incluindo o Príncipe Andrew. Uma fotografia foi tirada, pois imagino que ela quisesse mostrá-la a amigos e familiares”, diz o e-mail.
Detalhes na declaração e em e-mails subsequentes de Epstein enviados no mesmo dia indicam que o nome omitido era Giuffre.
Maxwell, que cumpre pena de 20 anos por tráfico sexual de menores e outros crimes, também aparece na fotografia.
A mensagem acrescenta que “G. Maxwell” não viu “nada de impróprio que tenha ocorrido em minha casa”.
Em outro e-mail para Epstein, “G. Maxwell” disse: “Preciso me distanciar de você também na declaração. E eles precisam que eu diga que não tinha conhecimento da massagem (com) Andrew em minha casa”.
A CNN entrou em contato com os representantes de Maxwell e tentou contatar os representantes de Andrew.
Caso Epstein gerou consequências para Andrew
O escândalo ligado a Epstein perseguiu Andrew durante anos, culminando na perda de seus títulos reais e na ordem de expulsão dele do Royal Lodge, a propriedade da Coroa em Windsor.
A família de Giuffre disse à emissora pública britânica BBC que a divulgação do e-mail foi um “momento de vindicação”.
“Isso mostra que ela não só não estava mentindo o tempo todo… como estava dizendo a verdade”, disse Sky Roberts, irmão de Giuffre.
“É um momento em que estamos muito orgulhosos da nossa irmã. Acho que é um momento de vindicação, mas também queremos usar isso para lembrar as pessoas de acreditarem nas sobreviventes”, acrescentou.
Giuffre, que morreu por suicídio em 2025, afirmou repetidamente ter sido forçada a fazer sexo com o então príncipe quando era menor de idade em três ocasiões: em Londres, Nova York e em Little St. James, local conhecido popularmente como Ilha de Epstein.
Ela alegou que Andrew sabia que ela era menor de idade nos EUA quando se conheceram.
Andrew negou todas as acusações de Giuffre e disse não se lembrar de tê-la conhecido. Em 2022, ele chegou a um acordo com ela, encerrando um processo por abuso sexual. Embora não tenha admitido culpa, Andrew reconheceu o sofrimento de Giuffre como vítima de tráfico sexual.
“Não me lembro de ter conhecido essa senhora, absolutamente nada”, disse Andrew à BBC em uma entrevista em 2019.
Ele afirmou na mesma entrevista que “não se lembrava de a fotografia ter sido tirada” e acrescentou que, embora fosse ele na foto, “não podemos ter certeza” se era mesmo a mão dele na mulher.
Quando questionado se acreditava que a foto era falsa, disse: “Ninguém pode provar se essa fotografia foi ou não adulterada”, acrescentando: “mas não me lembro de essa fotografia ter sido tirada”.
Maxwell também já havia afirmado que a imagem não era real. Falando de uma prisão na Flórida para a emissora britânica TalkTV em 2023, ela comentou que não acreditava “nem por um segundo que fosse real, aliás, tenho certeza de que não é. Nunca houve uma original”.
Em seu livro de memórias póstumo “Nobody’s Girl”, Virginia Giuffre detalhou o dia em que a foto foi tirada, quando conheceu Andrew na casa de Maxwell em Londres, em 10 de março de 2001, quando tinha 17 anos. Ela disse que foi forçada a fazer sexo com Andrew algumas horas depois.
Giuffre afirmou que a foto foi tirada com sua câmera descartável Kodak FunSaver e que ela a revelou alguns dias depois, em West Palm Beach, em 13 de março de 2001.
Pontuou ainda que mostrou a foto à repórter do The Mail on Sunday, Sharon Churcher, e ao fotógrafo Michael Thomas durante uma entrevista na Austrália em 2011, quando Thomas fotografou a cópia original.
Um dia após a publicação da fotografia na imprensa britânica, Andrew enviou um e-mail a Epstein dizendo: “Parece que estamos juntos nisto e teremos de superar isto… Caso contrário, mantenha-se em contacto e voltaremos a jogar em breve!!!!”, mostram os documentos do Departamento de Justiça dos EUA.
A troca de mensagens contradiz as afirmações de Andrew à BBC de que ele teria rompido todos os laços com Epstein em 2010.
Em outro documento, um e-mail enviado por Epstein em 1º de julho de 2011 a um destinatário cujo nome foi omitido nos documentos publicados dizia: “Sim, ela estava no meu avião e sim, ela tirou uma foto com Andrew, como muitos dos meus funcionários”. O e-mail não menciona a qual pessoa ele se refere, mas os detalhes indicam que era Giuffre.
O último lote de documentos, que inclui fotografias que parecem mostrar Andrew agachado, debruçado sobre uma mulher ou menina deitada no chão, aumentou a pressão política sobre ele.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o convocou para depor perante o Congresso dos EUA sobre seus vínculos com Epstein.
Todd Symons, Max Foster e Lauren Said-Moorhouse, da CNN, contribuíram para esta reportagem
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Fonte : CNN