As mulheres revolucionaram a música mundial e brasileira, quebrando barreiras de gênero, estilo e preconceito. Ícones como Chiquinha Gonzaga, Rita Lee, Nina Simone e Alanis Morissette transformaram a indústria com talento, coragem e inovação. Ao longo do tempo, elas conquistaram espaço em palcos antes dominados por homens, mostrando força e identidade em suas vozes.
Além de entreter, suas músicas levantam debates sobre liberdade, igualdade e representatividade. Cada canção carrega histórias, lutas e conquistas. Assim, as mulheres seguem inspirando novas gerações. Sua presença continua essencial para a diversidade e evolução da música.
A seguir, 7 mulheres que fizeram a diferença na música.
Chiquinha Gonzaga

Francisca Edwiges Neves Gonzaga foi pioneira por diversas vezes. A artista brasileira, conhecida como Chiquinha Gonzaga foi uma compositora, pianista e maestrina primordial para a música popular. Ela foi a primeira mulher a reger uma orquestra e a compor choro no Brasil.
Chiquinha criou o sucesso “Ó Abre Alas”, em 1899, marchinha de Carnaval. Ela foi defensora ativa da abolição da escravidão, vendendo partituras para comprar a alforria – ato jurídico ou voluntário pelo qual um senhor liberta uma pessoa escravizada, concedendo-lhe a liberdade – de escravizados. A artista compôs mais de 2 mil canções e 77 partituras para teatro, e ainda fundou a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT).
Dona Ivone Lara

Conhecida como “Rainha do Samba”, ela foi a primeira mulher a integrar a ala de compositores de uma escola de samba, (a Império Serrano do Rio de Janeiro) e a assinar um samba-enredo, revolucionou o gênero. Enfermeira e assistente social por 37 anos, uniu música e saúde mental. Formada em Enfermagem e Serviço Social, ela atuava na reabilitação de pacientes psiquiátricos. Dova Inove acreditava na arte como cura.
Ao longo de sua carreira, ela teve músicas gravadas por grandes artistas como Maria Bethânia, Gal Costa e Paulinho da Viola. Em sua homenagem, o dia 13 de abril, data de seu nascimento, foi instituído como o Dia Internacional da Mulher Sambista.
Carmen Miranda

Nascida em Portugal, ela cresceu no Rio de Janeiro e se tornou o maior símbolo da música brasileira na época. Conhecida como Pequena Notável, Carmen chamou a atenção com seu estilo único e marcante: brincos de argolas, roupas extravagantes, cheias de brilhos e babados, e turbante. Começou a carreira cantando para animar pequenas festas, no entanto, viu sua vida mudar quando foi apresentada ao compositor Josué de Barros, que a levou para apresentar em teatros e clubes. Em 1930, estreou como cantora de rádio.
Na mesma época, gravou seu primeiro disco. Seu grande sucesso veio com a marcha canção “Pra Você Gostar de Mim” (1930), que ficou conhecida por “Tai”. A música foi recorde de vendas e garantiu sua. Segundo o E-Biografia, a artista foi a primeira mulher a assinar um contrato com uma rádio.
A partir daí, Carmen ganhou visibilidade internacional. Com apresentações na Broadway, ela firmou carreira no exterior e lá, chegou a se apresentar na Casa Branca em uma festa para o presidente Roosevelt. Em 1940, Carmen Miranda estreou no filme norte-americano “Serenata Tropical”. No ano seguinte, foi a primeira sul-americana a receber uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood.
Durante sua residência nos Estados Unidos, ela gravou 14 filmes. No Brasil, ela participou de cinco produções: “Alô, Alô Carnaval” (1936), “Uma Noite no Rio” (1941), “Aconteceu em Havana” (1941), “Minha Secretária Brasileira” (1942) e “Serenata Boêmia” (1947).
Carmen Miranda foi a primeira artista brasileira a ganhar destaque internacional.
Rita Lee

A cantora transformou a música brasileira, quebrou barreiras de comportamento e de gênero, e se consolidou como a “Rainha do Rock”. Rita chamou a atenção do mundo da música ao assumir os vocais dos Mutantes, em 1966, durante o Movimento Tropicália, ao lado do vocalista Arnaldo Baptista, o guitarrista e vocalista Sérgio Dias, do baterista Dinho Leme e do baixista Liminha. Em meio a divergências, a cantora foi expulsa da banda em 1972. No ano seguinte, criou o Tutti Frutti. No entanto, foi no final da década de 1970 que Rita Lee estreou sua carreira solo e, ao lado do marido Roberto de Carvalho, lançou vários hits que estamparam as paradas de sucessos, sempre mantendo sua marca registrada, temas de suas músicas: irreverência, liberdade e feminismo.
Rita foi a cantora mais censurada durante a ditadura militar (1964-1985), com dezenas de músicas, versos e até um álbum completo (Bombom, 1983) vetados. A censura, motivada por comportamento e temas sexuais, atingiu hits como “Lança Perfume” e “Cor de Rosa Choque”, além de causar a prisão da artista em 1976.
A artista morreu em 2023, aos 75 anos, em sua residência em São Paulo, decorrente de um câncer de pulmão.
Nina Simone

Cantora, pianista, compositora e ativista dos direitos civis. Sua música mesclava gospel, blues, folk, pop e música clássica. Reconhecida como uma das maiores vozes da história do jazz e da soul, Nina marcou a música e a cultura do século XIX. Com sua voz grave e intensa, ela interpretou canções que se tornaram clássicos, como “Feeling Good” e “I Put a Spell on You”. Além da carreira na música, she se destacou como ativista pelos direitos civis da população negra nos Estados Unidos. Suas músicas refletem sobre luta, identidade e resistência. Nina Simone se tornou símbolo da arte, coragem e transformação social.
Madonna

Conhecida como a “Rainha do Pop“, a cantora revolucionou a indústria musical ao longo de mais de quatro décadas de carreira. Madonna desafiou padrões ao abordar temas como sexualidade, religião e identidade em suas músicas e atuações ousadas. Inclusive, chegou a ser excomungada pela Igreja Católica três vezes, por conta de performances e vídeos considerados blasfemos, como a do clipe de “Like a Prayer” (1989), simulação de masturbação (1990) e a simulação de crucificação durante a “Confessions Tour” (2006).
A artista marcou sua carreira com vídeos inovadores e shows que são verdadeiros espetáculos. Assim, ela ajudou a transformar o meio em uma verdadeira expressão artística. Sua ousadia chamou a atenção de fãs que a seguem pelo mundo e resultou em mais de 300 milhões de discos vendidos no mundo, sendo a artista feminina mais vendida da história, segundo o Guinness World Records. Ela também e a primeira mulher a ter hits no Top 10 da Billboard Hot 100 por 5 décadas consecutivas. Madonna possui 7 prêmios Grammy, 2 Golden Globe Awards.
Além da música, ela também investiu no mundo da moda, com a linha “Material Girl”, lançada em 2010 por ela e a filha Lourdes Maria Ciccone Leon, em parceria com a Iconix Brand Group. E também em cosméticos. A MDNA Skin foi inaugurada em 2014 no Japão e expandida para os EUA posteriormente.
Alanis Morissette

Conhecida como uma figura revolucionária na indústria da música, a canadense marcou profundamente o cenário musical da década de 1990. Com o lançamento do álbum “Jagged Little Pill”, ela conquistou reconhecimento mundial e abriu as portas para muitas artistas femininas.
Suas letras intensas e sinceras traduziram temas como conflitos, experiências e emoções pessoais em músicas como “You Learn”, “Hand I My Pocket” e “Perfect”. Alanis uniu rock alternativo e pop e criou o seu estilo marcante, que influenciou uma geração. Seu trabalho reflete a força e a vulnerabilidade do ser humano e assim, se tornou símbolo de autenticidade, que também reflete seu estilo único tanto na maneira de cantar quanto de se vestir.
Alanis é dona do recorde de maior número de canções que lideraram a parada semanal Billboard Alternative Songs entre artistas solo femininas. A VH1 a classificou como a 53ª melhor mulher do rock. Em 2005, ela foi incluída na Calçada da Fama do Canadá.
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Fonte : CNN