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Em um mundo que transformou o barulho em rotina e a hiperconexão (estado de conectividade digital excessiva) em “obrigação”, ficar offline pode ser considerado símbolo de bem-estar, autocontrole e até status.

O novo “luxo”, talvez, não tenha mais relação com poder aquisitivo, mas sim com o controle emocional. Segundo a psicanalista, cientista e pesquisadora Elainne Ourives, autora best-seller e criadora da Psicanálise Vibracional (linha que desenvolveu), essa tendência revela algo profundo sobre a saúde mental contemporânea.

Elainne explica que, do ponto de vista da psicanálise, a hiperconexão impede que o psiquismo cumpra suas funções essenciais. “Ela age como um estímulo contínuo que não dá tempo para a mente realizar seu trabalho mais fundamental: elaborar, simbolizar, integrar e decantar experiências”, comenta à CNN Brasil.

Ainda segundo a pesquisadora, a mente passa a funcionar como se estivesse sempre em alerta. “Como se estivéssemos emocionalmente ‘armados’ o tempo todo”, complementa. “O efeito seria como uma invasão constante da vida interna. Na hiperconexão, a pessoa não está conectada, está invadida”, afirma.

De acordo com a profissional, essa invasão impede funções básicas do psiquismo e do campo energético. “Não permite que o inconsciente fale, não permite que a intuição apareça, não permite que o corpo desacelere, não permite que o campo vibracional se estabilize”, diz. Para ela, a consequência é uma existência vivida em fragmentos. “A psique não adoece por excesso de informação, mas por falta de tempo para transformar informação em sabedoria”, pontua.

O silêncio como artigo de luxo; o que impede as pessoas de se desconectar?

Para Elainne, o silêncio hoje é tão raro que pode ser considerado um luxo emocional. E não se trata de ausência de sons, mas de presença interna. “O silêncio é o útero onde a consciência se regenera. É o lugar onde a alma recolhe o que viveu e devolve ao corpo uma versão mais leve, ajustada e coerente. Silêncio não é ausência de som, é presença de si”, comenta. Nesse contexto, estar offline é, na verdade, um retorno ao próprio centro: “Quando estamos offline, não estamos ‘desconectados do mundo’, estamos reconectados ao próprio centro”.

Para a psicanalista, a dificuldade de ficar offline não é tecnológica, mas sim emocional. Ela identifica três forças psíquicas principais: compulsão, fuga e medo da solidão ou do esquecimento.

Sobre a compulsão, ela explica que “cada notificação gera uma descarga de dopamina. “O cérebro gosta do ‘pequeno prêmio’ e quer mais.”

A fuga aparece quando o celular se torna esconderijo emocional. “O celular é, muitas vezes, o esconderijo moderno. A fuga favorita do ser humano sempre foi evitar a dor, evitar perguntas difíceis, evitar o inconsciente.”

Já a solidão revela algo mais profundo. “Solidão não é ausência de pessoas, é presença do próprio eu. Quando trabalhamos esse ponto, percebemos que a verdadeira desconexão que as pessoas temem não é da internet: é delas mesmas”, diz.

O caminho possível para o detox digital

Desintoxicar-se digitalmente não significa desligar o aparelho, mas reconectar-se consigo mesmo.  “Não comece tirando horas offline. Comece com minutos” e troca de estímulo por presença: você não tira o celular, você troca ele por si”, acrescenta.

Ela também recomenda ainda rituais de reconexão que façam sentido para cada indivíduo, como, por exemplo, caminhadas sem celular ou café da manhã sem celular.

Outra etapa importante é reorganizar o campo, porque pessoas que sentem angústia ao ficar offline não têm medo da pausa, têm medo do que aparece na pausa. E, por fim, buscar terapia com abordagem que alcance tanto o inconsciente quanto o campo energético.

“O detox digital revela questões mais profundas, sendo o medo do abandono, da necessidade de validação, do vazio existencial, da hipervigilância traumática, entre outras”, diz. Para Elainne, inclusive, desconectar não é um fim, mas um retorno ao essencial. “É o início de retornar para a casa interna que sempre esteve esperando por você”, finaliza.

Veja também: Psiquiatra comenta impactos do horário de verão para saúde mental

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Fonte : CNN

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