O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia condenou o que descreveu como “ultimatos e chantagem” por parte dos governos da Hungria e da Eslováquia neste sábado (21), após os países ameaçarem interromper o fornecimento de eletricidade à Ucrânia, a menos que Kiev reinicie o fluxo de petróleo russo.
As remessas de petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia estão interrompidas desde 27 de janeiro, data em que Kiev afirma que um ataque de drone russo atingiu equipamentos de um oleoduto no oeste da Ucrânia. Eslováquia e Hungria, por outro lado, sustentam que a Ucrânia é a culpada pela interrupção prolongada.
O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, disse no sábado que cortaria o fornecimento emergencial de eletricidade para a Ucrânia em dois dias, a menos que Kiev retome o trânsito de petróleo russo para a Eslováquia através do território ucraniano. O húngaro Viktor Orbán fez uma ameaça semelhante dias antes.
A questão tornou-se uma das disputas mais acirradas até agora entre a Ucrânia e dois vizinhos que são membros da UE (União Europeia) e da Otan, mas cujos líderes romperam com o consenso majoritariamente pró-Ucrânia na Europa para cultivar laços estreitos com Moscou.
Eslováquia e Hungria são os únicos dois países da UE que ainda dependem de quantidades significativas de petróleo russo transportado pelo oleoduto Druzhba, da era soviética, que atravessa a Ucrânia.
“A Ucrânia rejeita e condena os ultimatos e a chantagem dos governos da Hungria e da República Eslovaca em relação ao fornecimento de energia entre nossos países”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia em comunicado. “Ultimatos devem ser enviados ao Kremlin, e certamente não a Kiev.”
Hungria e Eslováquia são fundamentais para as importações de eletricidade da Ucrânia
Juntas, Hungria e Eslováquia têm fornecido cerca de metade das exportações europeias de eletricidade de emergência para a Ucrânia, das quais Kiev depende cada vez mais, uma vez que os ataques russos danificaram sua rede elétrica.
“Se o fornecimento de petróleo para a Eslováquia não for retomado na segunda-feira (23), pedirei à SEPS, a sociedade anônima estatal, que interrompa o fornecimento emergencial de eletricidade para a Ucrânia”, afirmou Fico em uma postagem no X.
Kiev declarou que tais ações são “provocativas, irresponsáveis e ameaçam a segurança energética de toda a região”.
Ao longo da guerra que começou com a invasão russa em grande escala, cujo quarto aniversário ocorre nesta terça-feira (24), a Ucrânia permitiu que seu território fosse usado para exportações de energia russa para a Europa, as quais foram drasticamente reduzidas, mas não interrompidas.
A Ucrânia propôs rotas alternativas de trânsito para enviar petróleo à Europa enquanto os reparos de emergência no oleoduto estão em andamento.
Em uma carta vista pela Reuters, a missão ucraniana na UE propôs remessas por meio do sistema de transporte de petróleo da Ucrânia ou por uma rota marítima, incluindo potencialmente o oleoduto Odesa-Brody, que liga o principal porto da Ucrânia no Mar Negro à UE.
Desde outubro do ano passado, a Rússia intensificou seus ataques com drones e mísseis contra o sistema energético ucraniano, derrubando a eletricidade e o aquecimento e mergulhando milhões de ucranianos em longos apagões sob as temperaturas gélidas do inverno.
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Fonte : CNN