A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) decidiu nesta quinta-feira (5) adiar a votação da quebra de sigilo bancário do Banco Master dos últimos dez anos.
A retirada do pedido foi acordada por líderes da oposição e da base governista, segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Os requerimentos relacionados ao Master miravam apurar possíveis irregularidades nos empréstimos consignados.
Segundo o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), a retirada de pauta dos pedidos visa uma adequação no “marco temporal” das informações solicitadas e no tema para o foco nos consignados.
A intenção, segundo Randolfe, é que os requerimentos sobre o Master retornem à pauta em 26 de fevereiro, data em que o dono do Master, Daniel Vorcaro, é esperado para depor.
Inicialmente, ele seria ouvido nesta quinta, já que a sua convocação foi aprovada ainda no ano passado pela CPMI. A defesa do banqueiro, no entanto, pediu para adiar a oitiva.
Sigilo de Vorcaro
Outro requerimento retirado da pauta e adiado solicitava à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) o envio de informações sobre o histórico de decolagens, pousos, destinos e lista de passageiros de aeronaves registradas em nome da Viking Participações Ltda, empresa que tem Vorcaro como sócio-fundador.
Em 4 de dezembro, a CPMI aprovou a convocação de Vorcaro – quando a presença é obrigatória – e a quebra de sigilo do banqueiro, além do envio de relatório de inteligência financeira. Os dados, no entanto, foram retirados do âmbito da CPMI por decisão do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao impor sigilo sobre a investigação.
A decisão de Toffoli determinou que as informações ficassem sob a custódia da presidência do Senado. Após apelos dos integrantes da CPMI e de uma reunião entre Viana e o ministro, Toffoli teria indicado a liberação dos dados após a Polícia Federal analisar toda a documentação.
Vorcaro foi preso em novembro de 2025, durante a primeira fase da operação da Polícia Federal que apontou fraude financeira de cerca de R$ 12 bilhões envolvendo o Master.
Ele teve a prisão preventiva revogada no fim de novembro pelo TRF (Tribunal Regional Federal) e foi solto com tornozeleira eletrônica. Os indícios de fraude levaram à determinação de liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central.
Pedidos de prisão
Nesta quinta, a comissão ainda adiou a votação do pedido de prisão de José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência e ex-presidente do INSS. Ele já foi ouvido na CPMI em setembro do ano passado e negou ter conhecimento sobre as fraudes.
Entre os requerimentos aprovados, a CPMI deu aval para pedidos de prisões preventivas e a proibição de se ausentar do país de pessoas investigadas por suspeitas no esquema de fraudes:
- Felipe Macedo Gomes, ex-dirigente da Amar Brasil Clube de Benefícios;
- Igor Dias Delecrode, ex-dirigente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista;
- Mauro Palombo Concílio, contador que prestou serviços para entidades;
- Anderson Cordeiro de Vasconcelos, empresário;
- Américo Monte Júnior, presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios; e
- Marco Aurélio Gomes Júnior, diretor de entidades investigadas.
Os pedidos de preventivas deverão ser encaminhados ao STF. Na Corte, o ministro André Mendonça é relator da ação relacionada às investigações de fraudes no INSS.
Também foram aprovadas as quebras de sigilo e pedidos de relatório de inteligência financeira de empresas, associações e pessoas ligadas a investigados. É o caso de Paulo Otávio Montalvão Camisotti, filho do empresário Maurício Camisotti.
Ainda, os integrantes da comissão deram aval para um pedido à Febraban (Federação Brasileira de Bancos) para que envie relatórios e dados sobre fraudes em empréstimos consignados.
Depoimento
A comissão realiza nesta quinta a primeira reunião do ano. O colegiado toma o depoimento de Gilberto Waller Júnior, atual presidente do INSS. Ele assumiu o cargo em abril de ano passado após revelado o esquema de fraudes envolvendo os benefícios de aposentados e pensionistas.
Na chegada ao Congresso, Waller afirmou a jornalistas que iria esclarecer a atuação do instituto em relação ao consignado e às devoluções dos descontos irregulares realizadas.
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Fonte : CNN