A Polícia Civil de São Paulo determinou a realização de apurações administrativas em todas as delegacias onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão relacionados à Operação Bazaar, que apura corrupção e lavagem de dinheiro dentro de departamentos da própria corporação nesta quinta-feira (5).
A ação foi conduzida pelo MPSP (Ministério Pùblico do Estado de São Paulo) em conjunto com a PF (Polícia Federal) e com a Corregedoria Geral da Polícia Civil.
A Corregedoria também realizará verificações extraordinárias nos atos de polícia judiciária em que os agentes públicos investigados atuavam. As diligências vão começar pelo 35º Distrito Policial, do Jabaquara, na zona Sul da capital.
Em nota, a Polícia Civil afirmou que não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades.
Corrupção policial
A PF e o MPSP deflagraram a Operação Bazaar para cumprir, ao todo, expediu 25 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão.
O grupo criminoso investigado era integrado por policiais, advogados, operadores financeiros e doleiros, como Leonardo Meirelles e Meire Poza, antigos alvos da Operação Lava Jato.
Para garantir a impunidade de suas operações financeiras ilícitas, a quadrilha realizava pagamentos sistemáticos de propina a policiais civis.
Em troca dos valores, os agentes públicos transformaram suas delegacias em balcões de negócios, paralisando inquéritos, manipulando investigações e chegando a destruir provas.
Um dos atos relatados na investigação foi o conluio para a troca de um disco rígido (HD) apreendido, manobra realizada presencialmente dentro da sede do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), para subtrair material incriminatório.
Para lavar os recursos de origem ilícita, vindos majoritariamente do tráfico de drogas, o grupo comprava vales-refeição, os famosos “VRs”, com dinheiro em espécie.
Corrupção na polícia de SP: criminosos usavam VRs para lavagem de dinheiro
Esses cartões eram então repassados em padarias e “mercadinhos” de fachada, que transferiam os créditos para empresas fictícias. Cléber Azevedo dos Santos, um dos principais alvos da operação, ficou conhecido nas interceptações como “Cléber do ticket”.
Extorsão milionária e propina no hangar da polícia
A infiltração dos criminosos atingiu importantes unidades da polícia paulista, como Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), DPPC e o 16º Distrito Policial, da Vila Clementino.
No 16º DP, as interceptações flagraram operadores do grupo relatando que policiais exigiram o pagamento de R$5 milhões para não dar andamento a uma investigação sobre lavagem de dinheiro.
Os áudios revelaram o desespero dos criminosos com o inquérito conduzido por um delegado identificado como “João”, e a necessidade de “resolver” a extorsão.
Entregas de dinheiro em espécie chegaram a ser combinadas e realizadas no próprio Hangar da Polícia Civil, no aeroporto Campo de Marte, envolvendo o pagamento a um investigador de elite do Serviço Aerotático.
Policiais pediam “conselhos” aos criminosos
Investigadores lotados em delegacias especializadas em fraudes financeiras procuraram os próprios doleiros que deveriam investigar para pedir “dicas”.
Em 2023, o então investigador Marcello Raduan Miguel marcou uma reunião com o doleiro Leonardo Meirelles em busca de uma “consultoria” de como ganhar dinheiro e ideias para “conduzir a vida fora da polícia”.
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Posteriormente, o policial enviou fotos de um casarão avaliado em R$4,5 milhões que havia adquirido, justificando que precisava vender o imóvel. O valor, no entanto, é incompatível com o salário da corporação, sugerindo forte indício do uso de recursos ilícitos.
Balanço e medidas judiciais
Até o momento, nove alvos já foram presos, incluindo um delegado, investigadores, um escrivão e a doleira Meire Poza. O doleiro Leonardo Meirelles segue foragido.
A Justiça determinou a suspensão imediata do exercício das funções pùblicas dos policiais investigados e o bloqueio de até R$5 milhões nas contas bancárias de cada um dos envolvidos no esquema.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
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Fonte : CNN