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O caso da corretora assassinada pelo síndico de um prédio na cidade de Caldas Novas, em Goiás, envolve premeditação, brigas e até mesmo “stalking”. Cléber Rosa de Oliveira foi acusado de perseguir Daiane Alves Souza, inclusive ao enviar imagens da mulher para a irmã dela.

A dupla tinha uma relação conflituosa que se estendia para a Justiça. Um dos pontos que mostra o teor do relacionamento é a presença de diversas denúncias entre ambos, antes de Daiane ficar desaparecida por 40 dias.

Segundo uma denúncia obtida pela CNN Brasil, Cleber vigiava toda a movimentação de Daiane e de seus hóspedes por meio do sistema de câmeras de segurança do condomínio. Depois da “supervisão”, ele enviava as imagens para irmã de Daiane.

O que é o crime de Stalking?

O crime de perseguição reiterada é definido por lei e tem mostrado um aumento significativo no país nos últimos anos. Foram registrados um caso de stalking a cada 6 minutos e 48 segundos em 2023.

O termo stalking é uma palavra em inglês usada para definir o ato de perseguir alguém e é tipificado como crime no Brasil desde março de 2021, por meio da Lei 14.132.

A legislação define o crime de perseguição como a conduta de “perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”.

A repetição do ato de perseguir, seja no ambiente virtual ou na vida real, é o que configura a ação de “stalking”. A frequência e a intensidade das ações são fatores considerados na avaliação do comportamento do agressor.

A pena para quem for condenado por esse crime é de seis meses a dois anos de prisão, além de multa. A legislação prevê que a pena seja aumentada se o crime for praticado contra criança, adolescente, idoso, ou contra mulher devido à condição do sexo feminino.

Outros pontos de denúncia

A perseguição por “stalking” é apenas um dos pontos apresentados pelo documento. Entenda os pontos abaixo:

Segundo uma denúncia obtida pela CNN Brasil, Cléber é acusado de perseguir a corretora entre fevereiro e outubro de 2025. As ações de perseguição começaram em novembro de 2024, após um desentendimento entre a dupla.

No documento, a promotoria alega que Daiane geria determinados imóveis dentro do condomínio onde Cleber era síndico. Em uma das locações, a mulher alugou um dos apartamentos para duas famílias, totalizando nove pessoas. No entanto, o número ultrapassou o limite máximo permitido de hóspedes por unidade no condomínio, fato que desencadeou as perseguições.

“O denunciado passou a perseguir reiteradamente a vítima, dificultando todo e qualquer requerimento de Daiane ao condomínio, tal como exigir que solicitações de manutenção fossem feitas de forma presencial, mediante requerimento com assinatura reconhecida em cartório”, destacou o promotor Christiano Menezes da Silva Caires.

Além dos pontos apresentados, o síndico também teria feito outras coisas como:

  • Sabotado o fornecimento de água, energia elétrica, gás e internet nos apartamentos geridos por Daiane, ao fechar registros, desligar padrões de energia e desconectar cabos;
  • Discutido diversas vezes com Daiane, tanto pessoalmente quanto por aplicativos de mensagens. Em fevereiro de 2025, Cleber chegou a agredir a mulher com uma cotovelada, fato que resultou em um processo separado por lesão corporal;

“Com suas condutas, o denunciado ameaçou a integridade física (esta, em dado momento, chegou a ser ofendida) e psicológica de Daiane, que se via monitorada constantemente, perturbada em seus afazeres profissionais e pessoais, atingindo a liberdade e privacidade da vítima”, concluiu o promotor.

Em nota, a defesa de Cleber ​afirmou que “todas as condutas do denunciado se deram no estrito cumprimento de seus deveres legais na condição de síndico, visando única e exclusivamente a manutenção da ordem condominial”.

Desfecho do caso

A Polícia Civil de Goiás concluiu o caso da morte da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, que foi assassinada e ficou desaparecida por 40 dias, em Caldas Novas, em Goiás. Durante coletiva de imprensa, na manhã desta quinta-feira (19), os investigadores afirmaram que o “crime foi premeditado”. 

As apurações policias reuniram provas suficientes para qualificar o crime dessa forma. Um dos pontos centrais das ações foi a análise de um vídeo em que Daiane é atacada pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira do prédio onde ela morava.

Segundo a corporação, o homem teria desligado o quadro de luz do apartamento da corretora para que ela fosse até o subsolo do condomínio. Ele teria esperado ela ir ao andar para que eles se encontrassem.

A polícia aponta que, no momento em que Cleber ataca Daiane, ele já estava de luvas nas mãos, encapuzado e teria deixado a capota de uma caminhote aberta no local mais próximo de onde pretendia render ela.

Vídeo mostra momento em que corretora é atacada por síndico; veja registro

Em nota, a defesa do síndico, que é representada pelo escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, informou que ainda não tiveram o acesso integral dos documentos recentemente inseridos na investigação, incluindo ao Relatório Final Policial, e que só se manifestará após a “análise de todo o seu conteúdo”.

Já a defesa do filho dele, representada pelos advogados Luiz Fernando Izidoro e Daniel Gonçalves Santos, afirmou que o investigado não teve qualquer participação na morte de Daiane Alves e que apresentou à polícia um conjunto de provas considerado “irrefutável”, que indicariam que ele não estava na cidade no momento do crime. Os advogados criticam a decretação da prisão temporária, afirmando que ela está baseada apenas em “suposições”.

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Fonte : CNN

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