Entidades que representam consumidores de energia criticaram o resultado do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026 e afirmaram que o certame pode elevar a conta de luz em até 10% nos próximos anos.
A Frente Nacional de Consumidores de Energia (FNCE) avaliou que o leilão “não teve bons resultados” e resultará na contratação de energia mais cara e mais poluente, com forte impacto tarifário.
A contratação de cerca de 19 GW (majoritariamente de usinas térmicas a gás natural e carvão) vai gerar um custo anual próximo de R$ 39 bilhões, que será repassado aos consumidores.
“O volume contratado de 19 GW, praticamente sem nenhuma competição, é absurdo e vai representar um custo muito pesado na conta de luz nos próximos anos”, afirmou o presidente da Frente, Luiz Eduardo Barata.
A entidade também criticou o modelo adotado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), e disse que o governo cedeu à pressão do setor de geração e não priorizou os interesses dos consumidores. Segundo informações da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, o certame teve um deságio médio de 5,52% em relação aos preços iniciais estabelecidos pelo ministério. No total, o volume de contratos somou 515,7 bilhões.
Além da receita fixa contratada no leilão, a FNCE destacou que os consumidores ainda terão que arcar com os custos de combustível das usinas quando elas forem acionadas, o que pode ampliar o impacto tarifário e pressionar a inflação.
Baixa competição e alto custo
A Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace) também fez críticas ao resultado do certame, apontando baixa competição e contratação acima das necessidades do sistema.
Para a entidade, o leilão cumpriu o papel de reforçar a segurança energética, mas com custo elevado. “Apenas esta contratação custará a todos os consumidores R$ 40 bilhões ao ano, impactando a tarifa média de energia elétrica dos brasileiros em aproximadamente 10%”, afirmou em nota a Abrace.
A associação destacou que o volume contratado foi superior ao necessário e que a falta de competição efetiva entre os participantes contribuiu para o aumento dos custos. Segundo a entidade, quanto maior o volume contratado, maior será o encargo pago pelos consumidores, o que reduz a competitividade da indústria e pode gerar efeitos inflacionários.
Debate sobre modelo
As críticas se concentram principalmente no desenho do leilão e na ausência de neutralidade entre as fontes de energia. Para a FNCE, o modelo adotado favoreceu a contratação de térmicas, em detrimento de outras alternativas potencialmente mais competitivas e menos poluentes.
Já a Abrace defende que o país avance na construção de um modelo mais previsível e com maior competição, incluindo novas soluções como armazenamento de energia e resposta da demanda. Apesar das críticas, o governo defende que o leilão foi necessário para garantir a segurança do fornecimento de energia diante do crescimento das fontes renováveis intermitentes no país.
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Fonte : CNN