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O Kremlin afirmou, nesta quinta-feira (26), que a situação em Cuba está se agravando e pediu moderação após um confronto fatal envolvendo uma lancha registrada no estado americano da Flórida, na costa da ilha caribenha.

Forças cubanas mataram quatro exilados e feriram outros seis que entraram em águas cubanas a bordo de uma lancha na quarta-feira e abriram fogo contra uma patrulha cubana, em um ato que a Rússia condenou como uma “provocação agressiva dos Estados Unidos” em um momento de tensões elevadas com Washington.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a repórteres que o mais importante era resolver as necessidades socioeconômicas e humanitárias dos cubanos.

“A situação em torno de Cuba, como podemos ver, está se agravando. O principal é o componente humanitário. Todas as questões humanitárias relativas aos cidadãos cubanos devem ser resolvidas, e ninguém deve criar obstáculos”, disse Peskov aos repórteres.

“Quanto à segurança na ilha, é claro que é muito importante que todos se mantenham contidos e se abstenham de quaisquer ações provocativas”, completou.

Cuba parece manter suspeitos de ação com lancha detidos em hospital

Cuba aparentemente está mantendo em um hospital ao menos alguns dos seis feridos que foram detidos após o que o governo descreveu como um ataque de 10 cidadãos exilados cubanos fortemente armados que tentaram se infiltrar no país em uma lancha.

Outras quatro pessoas que estavam a bordo morreram na quarta-feira (25) quando as forças cubanas revidaram disparos, informou o Ministério do Interior cubano. Registrada no estado americano da Flórida, a embarcação estava próxima à costa norte de Cuba.

O incidente ocorreu em meio ao aumento das tensões entre os EUA e Cuba.

O presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou ainda mais as sanções econômicas contra Cuba desde que os EUA capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro, um importante aliado cubano, em 3 de janeiro.

Não é uma operação dos EUA, diz Marco Rubio

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo americano vai investigar o incidente de forma independente e que a embaixada dos EUA em Havana estava buscando contato com os sobreviventes para determinar se algum deles era cidadão americano ou residente permanente.

Ele disse que não se tratava de uma operação americana e que nenhum membro do governo dos EUA estava envolvido.

Políticos da Flórida prometeram conduzir suas próprias investigações, alegando desconfiança na versão cubana dos fatos.

Cuba informou que os seis sobreviventes estavam recebendo atendimento médico. Pelo menos alguns deles pareciam estar sob custódia no Hospital Clínico-Cirúrgico Provincial Arnaldo Milian Castro, em Santa Clara, a cerca de 250 km a leste de Havana.

Santa Clara é a capital da província onde o incidente teria ocorrido, a cerca de uma milha náutica de um ilhéu ao norte.

O hospital civil estava sob forte vigilância. Agentes de segurança que abordaram jornalistas da Reuters perto da entrada disseram que os suspeitos estavam detidos ali, mas não forneceram mais detalhes.

Tropas uniformizadas do Ministério do Interior entravam e saíam do hospital.

O governo cubano e a embaixada dos EUA em Havana não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters.

Cuba se defenderá de qualquer agressão mercenária, diz presidente

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, prometeu, nesta quinta-feira (26), que o país caribenho se defenderá contra agressões.

“Cuba se defenderá com determinação e firmeza contra qualquer agressão terrorista e mercenária que busque afetar sua soberania e estabilidade nacional”, disse Díaz-Canel no X.

“Cuba não ataca nem ameaça”, disse Díaz-Canel, repetindo uma resposta comum dos cubanos a décadas de sanções econômicas dos EUA e ao bloqueio do petróleo imposto por Trump em janeiro.

O governo cubano afirmou que o grupo de lancha era composto por cidadãos cubanos antigoverno, alguns dos quais já haviam sido procurados por planejar ataques.

Os suspeitos vieram dos EUA vestidos com roupas camufladas e armados com fuzis de assalto, pistolas, explosivos caseiros, coletes à prova de balas e miras telescópicas, informou Cuba.

Um outro suspeito cubano foi detido em território cubano em conexão com o plano, e o comandante cubano da patrulha também ficou ferido, disseram as autoridades.

Os exilados cubanos, que estão em grande parte concentrados em Miami, há muito sonham em derrubar o governo comunista de Cuba ou em vê-lo cair.

No passado, paramilitares cubanos exilados tentaram ou realizaram atos de sabotagem. Os opositores do governo podem ter se sentido encorajados por eventos recentes que enfraqueceram a imagem dos governantes do país. O bloqueio de petróleo imposto pelos EUA agravou a já severa escassez de energia.

Cuba afirmou que dois dos detidos já eram procurados em Cuba por suspeita de planejarem atos terroristas contra o país: Amijail Sanchez Gonzalez e Leordan Enrique Cruz Gomez.

Os outros quatro foram identificados como Conrado Galindo Sariol, José Manuel Rodríguez Castello, Cristian Ernesto Acosta Guevara e Roberto Azcorra Consuegra.

Além disso, Cuba informou ter detido outro cidadão cubano em território cubano, Duniel Hernandez Santos, que havia vindo dos Estados Unidos para a ilha para receber os homens.

Uma das vítimas fatais foi identificada como Michel Ortega Casanova, enquanto as outras três ainda não foram identificadas, informou Cuba.

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Fonte : CNN

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