Mais de uma década após popularizar os aplicativos de namoro, o Tinder afirma que tem apostado em novas ferramentas e tendências para acompanhar o comportamento das gerações mais jovens — mas garante que a essência do serviço continua a mesma. “Conectar pessoas segue no centro”, afirmaram executivos da plataforma ao comentar as mudanças recentes no app.
Na última semana, o aplicativo de relacionamento revelou atualizações de produto, segurança e ferramentas de IA para ampliar a forma como as pessoas iniciam conexões reais. A CNN Brasil esteve presente no evento, que aconteceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, e acompanhou os anúncios, que incluem mais de dez atualizações da plataforma.
Novidades pensadas na geração Z
Segundo a empresa, a principal transformação nos últimos anos está na forma como os usuários querem se relacionar dentro da plataforma. A geração mais jovem, especialmente pessoas entre 18 e 30 anos, tem buscado experiências mais sociais e com menos pressão do que os encontros tradicionais.
“Estamos focados em construir experiências que ajudem as pessoas a se conectar de uma forma que pareça natural e segura”, afirmou Cleo Long, diretora sênior de marketing de produto do Tinder em conversa com a CNN. A ideia, segundo ela, é tornar o processo de conhecer alguém mais leve e menos parecido com uma “entrevista”.
Entre os modos mais populares do app está o Double Date, recurso que permite combinar encontros em dupla com amigos e que segundo os porta-vozes do Tinder, têm sido uma medida popular entre os usuários mais jovens, já que quase 85% dos usuários da funcionalidade têm menos de 30 anos.
A funcionalidade reflete um comportamento já comum entre usuários, principalmente na América Latina, onde amigos costumam participar mais do processo de conhecer alguém. “Percebemos que muitas pessoas compartilham perfis com amigos ou pedem opiniões antes de dar match”, completou Long.
Novidades e uso de IA
Após 14 anos em funcionamento, a plataforma também tem investido em ferramentas que ajudam a iniciar conversas, como modos baseados em música e astrologia, além de recursos de inteligência artificial que auxiliam na criação de perfis. A IA pode sugerir fotos melhores ou destacar interesses do usuário, mas, segundo a empresa, sem substituir a interação humana.
“Acho que as ferramentas de IA ficam mais nos bastidores, e o objetivo é reduzir um pouco o atrito e ajudar as pessoas no processo. A ideia não é usar a IA para criar uma versão fictícia de alguém. Na verdade, é ajudar a mostrar quem você realmente é. Acho isso incrível, porque representa de forma mais autêntica quem você é, o que você faz e com quem você está. Para nós, esse é um espaço muito interessante para começar a explorar”, cita Mark Kantor, diretor de produto do Tinder. A IA também é usada em sistemas de segurança e moderação de conteúdo dentro do aplicativo.
Elementos permanecem centrais
Apesar das mudanças e da constante adição de novos recursos, a empresa afirma que alguns elementos permanecem centrais. O perfil do usuário continua sendo o núcleo da experiência, agora com mais formas de expressão e personalização.
Para o Tinder, a evolução do app acompanha também mudanças culturais mais amplas. “Queremos que o aplicativo seja um lugar onde as pessoas possam se expressar e descobrir outras pessoas de forma autêntica”, afirmou Hillary Paine, vice-presidente sênior de Produto, em conversa com a CNN Brasil.
O objetivo, segundo os executivos, é manter a relevância do aplicativo em um cenário cada vez mais competitivo no mercado de namoro online — sem perder de vista a missão original. “Muita coisa mudou ao longo dos anos, mas a ideia fundamental continua a mesma: ajudar pessoas a se conectar.”
Hillary ainda crava que, apesar do “swiping”, marca registrada do Tinder, os perfis também continuam sendo o centro do produto. “Nós evoluímos com novos modos e recursos, como o Chemistry e experiências no mundo real, mas você e o seu perfil ainda são o núcleo da plataforma. Queremos garantir que as pessoas tenham a oportunidade de se representar de forma autêntica, por isso estamos criando novas formas de expressão e maneiras de iniciar conversas — porque, no fim, trata-se das pessoas em um produto de relacionamento”, completa Paine.
*A jornalista Ana Beatriz Dias viajou para Los Angeles, Califórnia, nos Estados Unidos, a convite do Tinder
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Fonte : CNN