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Fernanda Torres e Wagner Moura nunca disputaram o mesmo Oscar, mas suas campanhas contam a mesma história — com alguns capítulos diferentes.

A atriz chegou a Hollywood em 2025 como uma azarã carismática, com “Ainda Estou Aqui” — filme distribuído pela Sony Pictures Classics que encerrava um jejum de mais de 25 anos do Brasil sem indicações ao Oscar na categoria de Melhor Filme Internacional.

O ator, por outro lado, chega ao Oscar 2026 como um dos nomes capazes de roubar o título de Melhor Ator de Timothée Chalamet (“Marty Supreme”) e Michael B. Jordan (“Pecadores”).

Duas campanhas, dois momentos históricos para o cinema brasileiro — mas estratégias, narrativas e pontos de partida bem distintos. A seguir, os principais elementos que separam e aproximam as corridas de Fernanda Torres e Wagner Moura rumo à maior noite do cinema mundial.

NEON x Sony Pictures Classics

O primeiro grande ponto de divergência entre as campanhas de Moura e Torres está nas distribuidoras dos filmes. “Ainda Estou Aqui” era da Sony Pictures Classics, enquanto “O Agente Secreto” é da NEON.

A Sony Pictures Classics é muito respeitada pela classe dos atores e sabe trabalhar campanhas de filmes estrangeiros como poucas. Não raro, a companhia consegue emplacar indicações que parecem impossíveis.

Penélope Cruz, por exemplo, concorreu ao Oscar de Melhor Atriz por “Mães Paralelas” sem ter sido indicada ao The Actor Awards, ao Globo de Ouro, ao BAFTA ou ao Critics Choice — um feito que dificilmente se explica sem o peso da Sony nos bastidores da Academia.

A NEON, que carrega “O Agente Secreto” para 2026, opera em outra frequência. É a mesma empresa que conduziu “Parasita”, de Bong Joon-ho, à vitória histórica em 2020, e tem reputação de campanhas agressivas, criativas e com profundo trânsito em Hollywood.

A distribuidora investe pesado em seus filmes e nutre um apreço especial por vencedores de Cannes: nos últimos seis anos, a NEON adquiriu todos os ganhadores da Palma de Ouro, de “Parasita” (2019) a “Foi Apenas um Acidente” (2025), sempre mirando na estatueta careca.

Relações em Hollywood

Se as distribuidoras definem a estrutura das campanhas, as relações em Hollywood definem o terreno em que cada ator pisa. Wagner Moura já era figura conhecida no meio americano muito antes de “O Agente Secreto”.

O ator baiano construiu uma carreira internacional sólida: estrelou “Narcos“, da Netflix — papel que lhe rendeu sua primeira indicação ao Globo de Ouro —, e trabalhou ao lado de nomes como Elisabeth Moss, Brian Tyree Henry, Kirsten Dunst, Penélope Cruz, Ana de Armas, Gael García Bernal, entre outros.

Então, quando chegou ao circuito de premiações em 2026, não precisou de apresentação. Hollywood já sabia quem ele era.

Fernanda Torres, por outro lado, percorreu o caminho oposto. Ícone absoluta no Brasil, a atriz precisava ser apresentada ao público norte-americano — e a campanha foi estruturada exatamente em torno disso. O produtor Rodrigo Teixeira revelou à CNN que a estratégia passava por resgatar sua trajetória internacional: “A gente precisa tentar apresentá-la como uma atriz que já tem uma carreira consolidada no país de origem”, disse ele.

O ponto de partida foi o prêmio de Melhor Atriz que ela recebeu em Cannes em 1986, por “Eu Sei Que Vou Te Amar“, dirigido por Arnaldo Jabor — um troféu que, décadas depois, se tornava argumento de campanha em Hollywood. “Quantas atrizes ganharam o prêmio de Melhor Atriz em Cannes aos 19 anos de idade?”, questionou o produtor.

Carisma

Mas se há um elemento que une as duas campanhas de forma inegável, é o carisma. E nesse quesito, o Brasil não deve nada a ninguém.

Fernanda Torres transformou cada aparição em talk show americano em uma aula de sedução da imprensa. Com humor afiado e espontaneidade, ela conquistou apresentadores e plateias com a mesma naturalidade com que faz isso no Brasil há décadas — o “jeitinho brasileiro” como estratégia de campanha, sem que ninguém precisasse planejar.

Wagner Moura levou esse jeitinho um passo adiante. O ator não apenas participou do circuito — ele o apresentou. Subiu ao palco nas cerimônias do Critics Choice Awards, do Film Independent Spirit Awards, do Producers Guild of America Awards e do ACE Eddie Awards.

Em Hollywood, apresentar premiações é uma declaração de pertencimento: significa que a indústria te vê, te respeita e, mais do que isso, quer te mostrar para o mundo.

Redes sociais

Torres protagonizou um fenômeno nas redes sociais que Hollywood não estava preparada para ver.

Quando a Academia do Oscar publicou um trecho de sua atuação em “Ainda Estou Aqui”, a publicação atingiu 34 mil curtidas e 16 mil comentários em apenas 25 minutos. Em uma hora, já passava de 200 mil curtidas.

Os brasileiros invadiram os perfis das concorrentes, foram às publicações de Demi Moore deixar recados e, numa jogada que misturava torcida com humor, fingiram ser gringos para elogiar a atriz. “Não sou brasileiro, mas há algo incrível na atuação da Fernanda. Ela definitivamente merece vencer!”, escreveu um internauta, em inglês.

O diretor da glambot do Globo de Ouro, Cole Walliser, chegou a publicar que, naquela edição, Fernanda foi a pessoa sobre quem recebeu mais mensagens e comentários do mundo inteiro. O vídeo acumulou mais de 500 mil curtidas em menos de 24 horas.

Moura conta com engajamento igualmente massivo — mas a natureza do apoio é diferente. O favoritismo do ator está mais sedimentado na imprensa especializada, como Variety e IndieWire, e nas principais associações de críticos dos Estados Unidos.

O Oscar 2026 acontece no dia 15 de março, no Teatro Dolby, em Los Angeles, a partir das 20h (horário de Brasília).

Os brasileiros poderão acompanhar a cerimônia nas plataformas de streaming TNT e HBO Max, além da TV Globo, com transmissão ao vivo no canal aberto. Além disso, também possível acompanhar pelo site oficial do Oscar e pelas redes sociais da Academia de Artes.

Até a premiação, a CNN Brasil fará uma cobertura especial sobre o Oscar 2026, relembrando os destaques da edição passada, apresentando a lista completa de indicados, acompanhando de perto quais atores concorrem ao lado de Wagner Moura e do filme “O Agente Secreto” e outros desdobramentos.

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Fonte : CNN

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