As cores saturadas, os dramas viscerais e a irreverência inconfundível de Pedro Almodóvar tomam conta da Cinemateca Brasileira a partir desta quarta-feira (4).
Em uma parceria com a Embaixada da Espanha e o Instituto Cervantes, a instituição apresenta a “Retrospectiva Pedro Almodóvar”, uma jornada cinematográfica que reúne cerca de 20 títulos fundamentais para compreender um dos maiores autores do cinema contemporâneo.
A mostra não apenas celebra a estética “almodovariana” — termo que se tornou sinônimo de personagens femininas singulares e narrativas complexas —, mas também traça um panorama histórico da Espanha e das transformações pessoais do diretor ao longo de 40 anos de carreira.
Da transição democrática ao rigor estético
O percurso começa na efervescente Madri do final dos anos 70. Almodóvar surgiu como o rosto da Movida Madrilenha, movimento contracultural que explodiu após o fim da ditadura franquista.
Filas de cinéfilos poderão revisitar obras como “Maus Hábitos” e “Kika”, que exemplificam essa fase: filmes marcados pela energia anárquica, sexualidade explícita e um humor transgressor que buscava reinventar uma Espanha moderna e livre de repressões.
A partir dos anos 80, o público verá a transição para o Almodóvar “autor”. É o período em que o diretor lapidou seu uso do camp e do melodrama clássico, alcançando a projeção internacional com um equilíbrio fino entre o excesso visual e o rigor narrativo.
Maturidade, luto e autorreflexão
A retrospectiva também dedica espaço à fase considerada por muitos críticos como o ápice de sua carreira, entre os anos 90 e o início dos anos 2000. Filmes como o aclamado “Tudo Sobre Minha Mãe” marcam uma virada introspectiva, onde a provocação dá lugar a reflexões profundas sobre maternidade, luto e memória.
Já no século 21, a mostra revela um cineasta mais sombrio. Filmes mais “frios” e controlados passam a explorar o suspense psicológico e o trauma, frequentemente trazendo o protagonismo masculino para o centro do quadro.
Revistando a filmografia
O encerramento da mostra foca nos trabalhos mais recentes, como o recente “O Quarto ao Lado”. Nesta fase, Almodóvar assume um tom de autoexame. Com uma narrativa mais contida e refinada, o diretor revisita sua própria trajetória, abordando o envelhecimento, a doença e o legado artístico com uma melancolia lúcida.
Confira a programação:
- 4 de março, quarta-feira
19h30 I O quarto ao Lado*
* Sessão na tela externa
- 5 de março, quinta-feira
17h30 I Dor e Glória
20h I A pele que habito*
* Sessão na tela externa
17h30 I Abraços Partidos
20h I Fale com Ela*
* Sessão na tela externa
15h I A Lei do Desejo (35mm)
17h30 I Matador
20h I Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos*
* Sessão na tela externa
15h I De Salto Alto (35mm)
17h30 I Má Educação
20h I Tudo Sobre Minha Mãe*
* Sessão na tela externa
- 11 de março, quarta-feira
20h I Volver*
* Sessão na tela externa
- 12 de março, quinta-feira
20h I Maus Hábitos*
* Sessão na tela externa
- 13 de março, sexta-feira
17h30 I Ata-me
20h I Carne Trêmula
17h30 I Kika (35mm)
20h I A Flor do Meu Segredo
15h I O Que Eu Fiz Para Merecer Isto?
17h30 I Labirinto de Paixões
20h I Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão
*Publicado por André Nicolau, da CNN Brasil
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Fonte : CNN