As exportações brasileiras de soja perderam ritmo em fevereiro, após dias de chuvas intensas nos principais portos do país. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), foram embarcadas 8,9 milhões de toneladas no mês, volume mais de 1 milhão de toneladas abaixo do esperado inicialmente.
No Porto de Paranaguá, por exemplo, choveu em 26 dos 28 dias de fevereiro, o que comprometeu as operações de carregamento. Apesar do recuo mensal, a programação de março indica “forte recuperação”, segundo o boletim da Anec, divulgado nesta quarta-feira (4): a estimativa é de embarques de 16,1 milhões de toneladas ao longo do mês.
No campo, a colheita da soja 2025/26 avança em ritmo considerado positivo. Até a última semana de fevereiro, 41,7% da área havia sido colhida, levemente acima da média dos últimos cinco anos, embora abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. No Mato Grosso, principal produtor do país, os trabalhos alcançam 81,3% da área, favorecendo a janela ideal de plantio do milho segunda safra.
Milho
As exportações de milho seguem em desaceleração, ressalta a Anec. Em janeiro, o Brasil embarcou 3,3 milhões de toneladas; em fevereiro, o volume caiu para 1,1 milhão, e a previsão para março é de 697 mil toneladas. O movimento reflete a priorização logística da soja neste momento da temporada.
No acumulado do primeiro trimestre, as projeções da entidade indicam que o Brasil pode exportar 27,4 milhões de toneladas de soja, volume levemente superior ao mesmo período do ano passado, caso o line-up de março se confirme.
O relatório também destaca riscos no cenário internacional. As tensões no Oriente Médio, especialmente no Estreito de Ormuz, elevam o custo do seguro marítimo e aumentam a incerteza para embarques destinados a países como Irã e Arábia Saudita — importantes compradores do milho brasileiro, que juntos responderam por cerca de 14 milhões de toneladas no último ano.
Apesar das adversidades climáticas e geopolíticas, a expectativa do setor é de recuperação no ritmo dos embarques com a melhora das condições nos portos e o avanço da colheita.
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Fonte : CNN