A China não planeja invadir Taiwan em 2027 e busca controlar a ilha sem o uso da força, avaliou a comunidade de inteligência dos EUA, nesta quarta-feira (18), adotando um tom moderado sobre um dos maiores potenciais pontos de tensão do mundo.
A avaliação consta no relatório anual das agências de inteligência americanas sobre ameaças globais e surge num momento em que Pequim intensifica a pressão sobre Taiwan com frequentes exercícios militares, mesmo com o presidente dos EUA, Donald Trump, minimizando o risco de uma ação militar chinesa enquanto estiver no cargo.
No final do ano passado, o Pentágono afirmou que os militares dos EUA acreditavam que a China estava se preparando para vencer uma disputa por Taiwan até 2027, o centenário da fundação do seu ELP (Exército de Libertação Popular), e que estavam aprimorando opções para tomar Taiwan pela “força bruta”, se necessário.
“Apesar de ameaçar usar a força para forçar a unificação, se necessário, e para contrariar o que considera uma tentativa dos EUA de usar Taiwan para minar a ascensão da China, a China prefere alcançar a unificação sem o uso da força, se possível”, afirmaram as agências de inteligência americanas no relatório.
Os EUA “avaliam que os líderes chineses não planejam atualmente executar uma invasão de Taiwan em 2027, nem têm um cronograma fixo para alcançar a unificação”, diz o relatório.
A avaliação reiterou opiniões anteriores de que o ELP estava fazendo progressos “constantes, mas desiguais” em relação às capacidades que poderia usar para capturar a ilha governada democraticamente.
A Embaixada da China em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A representação de facto de Taiwan em Washington também não respondeu de imediato.
Trump, que repetidamente tem exaltado seu “ótimo relacionamento” com o líder chinês Xi Jinping, minimizou a ameaça dos exercícios militares chineses ao redor de Taiwan e disse que Xi lhe afirmou que não atacará Taiwan enquanto o presidente dos EUA estiver no cargo – algo que Pequim nunca confirmou.
A China considera Taiwan como seu próprio território e nunca renunciou ao uso da força para tomar a ilha sob seu controle. Taiwan rejeita as reivindicações de soberania de Pequim, afirmando que somente o povo da ilha pode decidir seu futuro.
Pressão sobre o Japão deve aumentar
Apesar das preocupações nos EUA e no exterior sobre a inclinação de Trump em apoiar Taiwan, seu governo anunciou em dezembro uma venda recorde de armas para a ilha, no valor de 11 bilhões de dólares, irritando Pequim, que afirma que tais acordos de armas devem acabar.
No entanto, alguns funcionários japoneses temem que Trump esteja disposto a suavizar o apoio a Taiwan em busca de um acordo comercial com a China, uma medida que, segundo eles, encorajará Pequim e desencadeará conflitos em uma Ásia cada vez mais militarizada.
Tóquio ficou apreensiva com o apoio discreto dos EUA à primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, após suas declarações no ano passado de que um hipotético ataque chinês a Taiwan poderia provocar uma resposta militar japonesa. Segundo relatos, Trump disse a ela em particular para não intensificar a disputa diplomática com Pequim.

No relatório divulgado nesta quarta-feira, as agências de inteligência americanas classificaram as declarações de Takaichi sobre Taiwan como uma “mudança significativa” para uma líder japonesa, uma interpretação que provavelmente irritará Tóquio um dia antes de sua delicada visita à Casa Branca.
Takaichi tem mantido que sua posição está alinhada com a política de longa data do Japão.
“A China está empregando pressão coercitiva em múltiplos domínios, que provavelmente se intensificará até 2026, com o objetivo tanto de punir o Japão quanto de dissuadir outros países de fazerem declarações semelhantes sobre seu potencial envolvimento em uma crise com Taiwan”, diz o relatório.
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Fonte : CNN