O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso Master no TCU (Tribunal de Contas da União), recebeu na tarde desta quarta-feira (11) o relatório técnico da AudBancos (Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros) após a inspeção nos documentos do BC (Banco Central) sobre a liquidação extrajudicial da instituição financeira do empresário Daniel Vorcaro.
Segundo apurou a CNN, o ministro deve começar a fazer a análise do relatório após o Carnaval. A estimativa é que, após a análise do ministro, o voto dele esteja pronto para ser submetido ao plenário do TCU em até 40 dias.
Nesta quarta (16), o TCU informou que reclassificou a confidencialidade do processo do Banco Master de “sigiloso” para “sigiloso com exigência de autorização específica de leitura”. A alteração, segundo o órgão, foi feita por solicitação da Secretaria-Geral de Controle Externo, com o objetivo de evitar vazamentos, inclusive de informações sigilosas assim classificadas pelo BC.
“Tal procedimento não é inédito, pois já foi aplicado em outros processos no TCU. A solicitação foi deferida pelo relator do processo e contou com a ciência do Banco Central”, informou o órgão.
Os técnicos da AudBancos atuaram na revisão dos documentos que embasaram a decisão do BC de liquidar o Banco Master desde 15 de janeiro. O trabalho foi concluído na semana passada.
A inspeção também tinha como objetivo mapear o problema de liquidez do Master, que passou a ser alvo de alertas da autoridade monetária em 2024, já na atual gestão de Gabriel Galípolo.
Segundo apurou a CNN Brasil, os auditores também tiveram como foco avançar na fiscalização sobre o banco de Vorcaro até 2019, quando o BC era presidido por Roberto Campos Neto.
A proposta é fazer uma cronologia da captação de recursos com taxas acima dos valores praticados no mercado (CDB), bem como identificar eventuais alertas sobre o risco do modelo de negócio do Master.
O ministro Jhonatan de Jesus quer uma linha do tempo sobre a decisão do BC a respeito da liquidação. O TCU pediu detalhes como os processos de governança adotados e a avaliação de medidas menos gravosas ao sistema financeiro que pudessem dar uma solução ao Master.
A inspeção com o objetivo de verificar os documentos da liquidação do Banco Master começou após um entendimento entre os presidentes do TCU, Vital do Rêgo, e do BC.
O Banco Central retirou os embargos de declaração que questionavam a decisão inicial do relator, determinando a inspeção, e levavam essa deliberação para o plenário do tribunal.
Por sua vez, o TCU se comprometeu, durante a fiscalização, a respeitar os sigilos bancários e do negócio do Master.
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Fonte : CNN