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O escândalo envolvendo o Banco Master tem potencial para criar uma “guerra de todos contra todos” no cenário político brasileiro, com um clima semelhante ao vivido durante a operação Lava Jato. A avaliação é de Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, durante participação no WW desta quarta-feira (11).

Segundo o analista, o vazamento de informações do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deve desencadear um processo onde políticos, mesmo aqueles não diretamente implicados, enxergarão uma oportunidade eleitoral para atacar adversários.

“Na Lava Jato, atores perceberam ali uma oportunidade de tirar adversários da mesa a partir de denúncias e escândalos de corrupção”, explicou Barreto, traçando um paralelo com a situação atual.

“O que eu quero dizer é que é inevitável que a gente crie um debate político a partir do momento em que essas informações começarem a ser divulgadas e que os políticos, dentro do seu senso de oportunidade, começarão a explorar essas questões uns contra os outros”, acrescentou.

Ausência de controle institucional

Uma diferença crucial apontada pelo analista é que, diferentemente da Lava Jato, não há atualmente uma instância que controle o processo.

“Na Lava Jato, em algum momento, você tinha o Ministério Público, você tinha um juiz, você tinha uma instância que estava no controle dessa roda. E eu acho que a novidade aqui é que hoje ninguém está no controle dessa roda”, alertou.

Barreto destacou o papel fundamental da imprensa e da PF (Polícia Federal) na continuidade das investigações.

“Se não fosse a imprensa e não fosse a Polícia Federal, esse processo tinha morrido”, afirmou.

Para ele, sem um controle institucional adequado, o país corre o risco de entrar em um processo de paralisia política.

“Qual é o resultado de uma guerra de todos contra todos?”, questionou o analista, citando o filósofo Thomas Hobbes.

“Numa guerra de todos contra todos, todos têm uma existência curta, brutal e marcada pelo medo da morte violenta. Transferindo isso para o cenário político, ninguém sabe se vai estar no jogo na próxima rodada”, afirmou.

O especialista concluiu alertando para a necessidade de estabelecer algum nível de institucionalidade para processar e julgar os responsáveis. Caso contrário, segundo ele, “vai ficar todo mundo bloqueado e o país vai entrar num processo de paralisia” que só seria rompido por algum evento externo, como manifestações populares.

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Fonte : CNN

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