Preso na manhã da última quarta-feira (18), o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto afirmou, em interrogatório à polícia, que tomou banho após a morte da esposa, a soldado Gisele Santana, pois estava se sentindo mal e precisava “baixar a pressão”.
Conforme o interrogatório, ao qual a CNN Brasil teve acesso, o militar justificou que o banho foi necessário antes da realização dos trâmites necessários pois a água quente poderia abaixar sua pressão arterial, que segundo ele estava alta.
O registro das câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência registraram que Geraldo foi orientado pelos agentes a não tomar banho, mas se recusou a seguir o procedimento padrão — que seria colocar uma camiseta e ir direto ao distrito policial.
Na ocasião, o tenente-coronel resistiu à orientação e afirmou que iria tomar banho antes de qualquer deslocamento. “Irmão, eu tenho 34 anos de serviço. Eu sei o que eu tô falando. Eu vou tomar banho”, disse.
Questionado sobre essa atitude pelo delegado do caso após ser preso, na quarta-feira, Geraldo afirmou:
“Eu estava passando mal e fui tomar banho por dois motivos: para baixar minha pressão, eu sei que quando a gente está com a pressão alta, se a gente tomar um banho bem quente, vai fazer baixar a pressão, porque causa vasodilatação dos vasos sanguíneos. E eu precisava colocar uma roupa, porque eu sabia que eu ia vir pra delegacia, que provavelmente ia para o plantão de polícia judiciária militar, que eu iria passar no HC, então eu já tinha ali uma expectativa de passar o dia inteiro empenhado naquele dia”.
Ainda no depoimento, o militar, que agora é acusado pelo feminicídio da esposa, afirmou que o ocorrido “foi a situação mais estressante de toda sua vida”.
Entenda o caso
A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi indiciado pela Polícia Civil e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.
A mudança de rumo na investigação ocorreu após a análise de laudos periciais, depoimentos e evidências extraídas de dispositivos eletrônicos.
Segundo relatório da Polícia Civil e denúncia do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), há um conjunto consistente de elementos que afastam completamente a hipótese de suicídio.
Entre os pontos centrais estão contradições do tenente-coronal, indícios de manipulação da cena do crime e sinais claros de violência anterior à morte.
De acordo com a versão apresentada pelo tenente-coronel, ele teria ouvido o tiro poucos instantes após sair do quarto da esposa.
Caso Gisele: Relação era marcada por abusos
O exame necroscópico confirmou que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça da vítima, em trajetória incompatível com um tiro autoinfligido.
Além disso, peritos encontraram lesões no rosto e no pescoço, incluindo marcas de dedos e arranhões, indicando que Gisele foi imobilizada antes de ser morta. Hematomas na região dos olhos também apontam para agressões anteriores ou simultâneas ao disparo.
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Fonte : CNN