O Grupo EMS pretende avançar de forma estruturada no mercado de medicamentos para emagrecimento e diabetes à base de semaglutida.
A empresa vai aproveitar a queda da patente do Ozempic no final deste mês para lançar seu produto no mercado, disse o vice-presidente da empresa, Marcus Sanchez, em entrevista ao Capital Insights, programa feito em parceria entre a Broadcast e o CNN Money, que vai ao ar semanalmente às quintas-feiras.
Entrevistado desta quinta-feira (5), Sanchez afirma que a companhia enxerga a molécula como uma das principais oportunidades do mercado farmacêutico atual, tanto pelo crescimento da demanda em diabetes quanto pela expansão no tratamento da obesidade.
Ele pontua, no entanto, que a EMS pretende atuar de forma estruturada e sustentável, evitando movimentos precipitados. “Existe uma demanda reprimida muito forte para esses medicamentos“, disse.
O plano envolve aproveitar sua expertise em genéricos e similares para disputar espaço quando houver viabilidade regulatória e comercial, posicionando-se para oferecer uma alternativa com preço mais competitivo ao produto de referência da Novo Nordisk.
O objetivo é conquistar uma fatia relevante de um mercado que deve continuar crescendo nos próximos anos.
Do ponto de vista financeiro, a estratégia segue a diretriz mais ampla da empresa: crescimento com geração própria de caixa.
Eventuais investimentos produtivos ou movimentos associados à entrada nesse segmento devem ser feitos prioritariamente com recursos do próprio balanço, preservando controle da alavancagem. Assim, a semaglutida é tratada como vetor estratégico de expansão, mas dentro de uma política de capital conservadora.
Sanchez disse, ainda, que os medicamentos baseados em peptídeos, cadeias curtas de aminoácidos capazes de reproduzir ou modular hormônios naturais do organismo representam uma nova geração de tratamentos, especialmente em áreas de diabetes, obesidade e doenças metabólicas.
Segundo ele, esse tipo de molécula exige maior capacidade tecnológica e industrial, o que tende a elevar a barreira de entrada para novos competidores e favorecer empresas com estrutura produtiva mais robusta.
Ele afirma que a EMS vê os peptídeos como um dos principais vetores de crescimento para os próximos anos. A aposta nesse segmento está ligada à expansão do mercado global de terapias metabólicas e ao forte crescimento da demanda por medicamentos derivados de moléculas como a semaglutida.
Já na ponta do consumidor, a chegada dos novos medicamentos à base de semaglutida pode reduzir os preços no mercado em aproximadamente 20%, num primeiro momento, estima o executivo.
Ele aponta que a atuação no Brasil com esse remédio pode permitir que, no futuro, a companhia trabalhe também no mercado dos Estados Unidos.
A patente do Ozempic termina em 2031 no mercado norte-americano e a EMS já arquivou pedidos na agência reguladora FDA para comercializar o produto. Com isso, segundo ele, será possível alcançar um faturamento de US$ 5 bilhões em dez anos.
M&A
O executivo comentou ainda sobre o interesse da EMS em comprar a Medley. O processo competitivo aberto pela francesa Sanofi para a venda da farmacêutica está em curso.
Caso a empresa saia vencedora, a aquisição da fabricante de genéricos estaria alinhada à estratégia de fortalecimento neste segmento, ampliando escala, portfólio e capilaridade comercial num mercado já consolidado, mas ainda bastante competitivo.
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Fonte : CNN