A Federação Paulista de Futebol lançou uma campanha para incentivar clubes e árbitros filiados a aderirem à plataforma de autoexclusão das casas de apostas. A ferramenta foi criada pelo Governo Federal em dezembro de 2025 e permite registrar o CPF para restringir acesso a sites e anúncios ligados às bets.
A recomendação deve virar obrigatória para árbitros após a publicação do novo Regulamento Geral de Arbitragem. Para os clubes, a entidade fez apenas orientação. Pela legislação brasileira, pessoas com poder de influenciar resultados já são proibidas de apostar.
Antes do início do Campeonato Brasileiro, a CBF também recomendou que árbitros da primeira turma profissional solicitassem o bloqueio dos próprios dados. A medida faz parte de ações voltadas à integridade das competições.
Criada pelos ministérios da Fazenda e da Saúde, a plataforma permite escolher prazos de autoexclusão de 1, 3, 6, 9 ou 12 meses, além da opção por tempo indeterminado. Durante o período, o usuário não consegue acessar ambientes de apostas.
Segundo o Governo, mais de 217 mil pessoas já solicitaram a autoexclusão.
Entre os motivos informados, 37% citaram “Perda de controle sobre o jogo e saúde mental”, enquanto 25% indicaram “Prevenir que meus dados sejam utilizados por plataformas de apostas”. Do total, 73% optaram por prazo indeterminado.
O cadastro pode ser feito pelo site oficial do Governo. A ferramenta também coleta, de forma opcional, os motivos da decisão para auxiliar na formulação de políticas públicas de prevenção à dependência.
“Essas medidas representam um avanço importante na consolidação de práticas mais seguras no setor. As ferramentas de autobloqueio são essenciais para o manejo da compulsividade. Contudo, os ajustes de limites no momento de cadastro e o uso consciente das ferramentas de autocontrole são passos ainda mais importantes para garantir que as apostas continuem sendo uma forma de entretenimento e não um risco”, opina Cristiano Costa, psicólogo clínico e organizacional e diretor de conhecimento (CKO) da Empresa Brasileiro de Apoio ao Compulsivo (EBAC).
“Ficamos honrados por colaborar com operadores de apostas que tratam o jogo responsável com extrema seriedade. Por isso, recebemos com grande satisfação os esforços da SPA para aprimorar a proteção dos jogadores no Brasil. Um banco de dados de autoexclusão é um avanço importante e saudável. Estamos ansiosos para que esta e as demais iniciativas planejadas se concretizem”, afirma Alex Rose, CEO da InPlaySoft, empresa focada na criação e desenvolvimento de plataformas para o setor de betting.
Acordo de Cooperação Técnica
As medidas fazem parte do Acordo de Cooperação Técnica sobre jogos e apostas, com duração de cinco anos. O plano prevê materiais informativos sobre saúde mental, canal direto entre órgãos públicos e compartilhamento de dados para prevenção da dependência.
“A possibilidade de autoexclusão é um marco importante para a consolidação de um mercado de apostas mais seguro e transparente no Brasil. O fato de mais de 217 mil pessoas já terem solicitado a exclusão mostra que o consumidor está mais consciente e que os mecanismos de proteção estão, de fato, sendo utilizados. Para a 1PRA1, essa é uma medida essencial para colocar o bem-estar do usuário no centro da operação e estamos trabalhando para aperfeiçoar nossas ferramentas de segurança cada vez mais”, disse Tiago Grecco, CMO da 1PRA1.
“A possibilidade de autoexclusão é uma ferramenta essencial dentro de um ambiente regulado e demonstra que o setor está avançando na construção de um ecossistema mais responsável. O número de solicitações reflete maior conscientização do público e também a efetividade dos mecanismos de controle disponíveis nas plataformas legalizadas. Seguimos investindo em tecnologia, campanhas educativas e parcerias com instituições especializadas, como Gambling Therapy e GambleAware, para ampliar o acesso à informação, incentivar o jogo responsável e garantir que o entretenimento aconteça de forma segura e equilibrada”, acrescenta Fellipe Campos, sócio-diretor da Luck.bet.
Foco na saúde
A ferramenta também vai indicar pontos de atendimento do SUS e direcionar usuários ao Meu SUS Digital e à Ouvidoria do SUS para avaliação sobre possível vício em apostas.
A partir de fevereiro de 2026, a rede pública deve oferecer teleatendimento em saúde mental voltado ao tema em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.
“As possibilidades de que o apostador solicite a autoexclusão, ou defina os seus próprios limites dentro daquilo que aceitará no jogo, são avanços importantes e sempre bem-vindos para o bem-estar do jogador, pois reforçam a consciência e a segurança no uso das plataformas. Mas também é claro que essas ferramentas, sozinhas, não são o suficiente. É preciso ir além e educar o público, pois a educação é a peça fundamental para garantir um ambiente de jogo mais seguro, responsável e saudável. Nesse aspecto, reforço também a importância do combate às bets clandestinas, que não se comprometem com a disponibilização desses ou de nenhum mecanismo de proteção aos apostadores. Evidenciar de forma clara essa diferença entre os sites ilegais e os regulamentados também é fundamental”, analisa o influenciador Daniel Fortune.
Segundo executivos do setor, plataformas legalizadas já adotam monitoramento de comportamento, limites de depósito e tempo de uso, além de alertas e possibilidade de autoexclusão voluntária para jogadores em situação de risco.
“Também temos como iniciativa o monitoramento constante de comportamento de jogo, através da análise de perfis e padrões de apostas para identificar jogadores em grupos de riscos ou com comportamento potencialmente compulsivo e apresentar opções de tratamento”, afirma Tagiane Gomide Guimaraes, Diretora Jurídica e de Integridade da Ana Gaming.
“Acreditamos que as novas diretrizes da Secretaria de Prêmios e Apostas reforçam um caminho que o próprio mercado já vem trilhando em prol de um ambiente mais seguro e responsável. Na Casa de Apostas, já trabalhamos com políticas estruturadas de jogo responsável e enxergamos essas atualizações como um ajuste pontual que trará ainda mais transparência e proteção aos apostadores, fortalecendo a credibilidade do setor como um todo”, afirma Hans Schleier, COO da Casa de Apostas.
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Fonte : CNN