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Em períodos de calor intenso, como durante o Carnaval, quando blocos lotam as ruas e a exposição ao sol se prolonga, especialistas chamam atenção para os efeitos que alguns remédios psiquiátricos podem ter sobre a regulação da temperatura corporal e a sensação de sede de pessoas que fazem uso da medicação.

Alguns medicamentos usados no tratamento de transtornos como depressão, ansiedade, bipolaridade e esquizofrenia podem interferir no funcionamento do organismo diante do calor.

Um dos principais problemas é que alguns desses medicamentos inibem a sudorese, que é o principal mecanismo do organismo para resfriar a pele. Sem o suor adequado, o corpo retém calor excessivo, elevando o risco de hipertermia e insolação.

“Isso acontece porque existem mecanismos próprios da ação desses medicamentos no corpo e cérebro que interferem na adaptação ao calor. Alguns podem reduzir a produção de suor, alterar a sensação de sede e dificultar a percepção do cérebro às altas temperaturas do ambiente, dificultando a saída do calor do corpo. É como se o corpo não percebesse que está em um ambiente quente”, explica o psiquiatra José Péricles Vasconcelos Filho.

Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem da CNN, as principais classes de remédio que podem trazer maior risco de desidratação são:

  • Antipsicóticos: podem diminuir a capacidade de regulação da temperatura do corpo e aumentar o risco de hipertermia, ou seja, elevar a temperatura do corpo;
  • Antidepressivos tricíclicos (ADTs): levam a efeitos colaterais mais intensos, como boca seca e confundir a percepção da sede e vontade de beber água;
  • Benzodiazepínicos e hipnóticos: causam sedação e distração, então a pessoa começa a prestar menos cuidado com a hidratação e sinais de alerta;
  • Antidepressivos: provocam suor excessivo, náusea e alterações na pressão.

“Alguns antidepressivos, como os tricíclicos, a venlafaxina e a desvenlafaxina, podem aumentar a sudorese. Certos antidepressivos e anticonvulsivantes também estão associados à hiponatremia, ou seja, à redução do sódio no sangue, um risco que pode se intensificar em situações de calor, sudorese excessiva e ingestão inadequada de líquidos. O lítio também exige atenção especial, pois a desidratação pode elevar sua concentração no sangue, e sua margem entre a dose terapêutica e a dose tóxica é estreita, podendo levar a quadros graves”, detalha Renato Carvalho, psiquiatra.

Quais são as consequências desses efeitos?

Em ambientes quentes e com esforço físico, como pular carnaval por horas, essas alterações podem acelerar quadros de desidratação sem que a pessoa perceba os sinais iniciais.

A desidratação pode se manifestar de forma silenciosa, com sintomas como tontura, dor de cabeça, fraqueza e confusão mental, no entanto, esses sinais nem sempre são imediatamente associados à falta de água no organismo.

“Confusão mental, desorientação, ansiedade, agitação e palpitação repentinas ou sonolência intensa também são alguns sinais. Urina escura ou em menor quantidade e boca muito seca, Cãibras, dor de cabeça forte, febre e muito mal-estar são outros sinais de alerta”, explica Michel Haddad, psiquiatra do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo.

Em situações mais graves, há risco de queda de pressão, aumento da temperatura corporal e necessidade de atendimento médico. O consumo de álcool, comum nesse período de folia, tende a agravar o quadro de desidratação por aumentar a perda de líquidos.

“O álcool desidrata, piora a perda de líquidos e pode baixar a pressão arterial, somando aos efeitos comuns dos medicamentos, além de prejudicar o autocuidado, ou seja, a pessoa bebe menos água, se expõe mais ao sol e dorme mal. Com tudo isso, o risco de sonolência, queda e acidentes pioram os sintomas psiquiátricos”, acrescenta Haddad.

Especialistas reforçam a importância de medidas simples, como beber bastante água, pausas à sombra para descansar e atenção aos sinais do corpo, principalmente durante eventos prolongados.

Veja abaixo algumas orientações práticas para pacientes em tratamento que vão a eventos ao ar livre no Carnaval:

  • Beber água durante todo o dia, não só quando sentir sede;
  • Se possível, ficar em locais com sombra, usar boné ou chapéu e roupas leves;
  • Planejar pequenas pausas para descansar, se hidratar e se alimentar;
  • Evitar bebida alcoólica, caso opte por beber, intercalar o consumo com água;
  • Evitar misturar bebida alcoólica com remédios sedativos;
  • Não interromper o consumo do remédio sem orientação médica para “poder beber”;
  • Se surgir tontura, confusão mental, fraqueza intensa ou palpitação acompanhados de vômito, diarreia e febre, o ideal é buscar ajuda médica imediatamente

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Fonte : CNN

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