Um brasileiro que testemunhou o ataque a tiros na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália, relatou momentos de pânico durante o incidente que deixou pelo menos 12 pessoas mortas e 29 feridos. Daniel Gonçalves, que estava no local do tiroteio minutos antes do início do atentado, descreveu ao Agora CNN como a situação evoluiu rapidamente de um dia tranquilo para cenas de horror.
Autoridades falam em ataque à comunidade judaica devido a comemoração do Hanukkah que ocorria no momento da tragédia.
“Cinco minutos antes do tiroteio, eu estava literalmente de frente para a ponte onde estavam os atiradores, mas eu estava me sentindo muito cansado, então falei com a minha amiga para irmos embora”, contou Daniel. O brasileiro relatou que eles se afastaram cerca de 100 metros da praia e decidiram deitar na grama para observar o pôr do sol quando, momentos depois, ouviram os primeiros disparos.
“Eu escutei dois barulhos. Teoricamente, o povo estava falando que era de fogos de artifício. Todos continuaram agindo normalmente, mas eu virei com a minha amiga assustado e falei assim: amiga, isso é tiro”, relatou Daniel. Ele explicou que reconheceu o som por já ter presenciado situações semelhantes no Brasil, embora sua amiga inicialmente não acreditasse. “Na hora que começou a sequência do fuzil, começou a correr todo mundo”, acrescentou.
Fuga desesperada e cenas de horror
O brasileiro descreveu a confusão que se seguiu quando as pessoas tentavam escapar. Segundo ele, havia incerteza sobre para onde correr, pois parecia haver dois ataques simultâneos em pontos opostos da praia. “Na hora que a gente estava correndo para a saída, veio o povo correndo para o norte, onde estava o ataque original, então a gente não sabia para onde correr, ficamos meio perdidos”, explicou.
Daniel relatou que tentou chamar um Uber para deixar o local, mas o aplicativo mostrava que corridas estavam indisponíveis para aquela área. Ele também tentou entrar em um ônibus, mas foi impedido. “Eu tentei segurar a porta do ônibus, falei: segura a porta, por favor. Mas o pessoal me tirou do ônibus porque não conseguiam fechar a porta e foram embora”, contou.
O brasileiro presenciou cenas perturbadoras após o ataque: “A gente conseguia ver gente correndo com sangue, com kit de primeiros socorros. A polícia estava em cima da ponte tentando ressuscitar um cara. Tinha gente com a cabeça explodida, tinha gente com muito sangue na roupa, tinha criança chorando“.
Segundo informações das autoridades australianas, o ataque teve como alvo a comunidade judaica. Daniel mencionou que após cerca de 30 minutos do ocorrido, começaram a circular notícias sobre esta motivação. Ele também relatou que havia rumores sobre uma brasileira que teria sido baleada e estaria hospitalizada. O brasileiro contou que, mesmo horas depois do ataque, ainda não conseguia dormir devido às imagens traumáticas que presenciou, mas destacou que as autoridades locais disponibilizaram um canal de saúde mental para atender as pessoas afetadas pelo evento.
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Fonte : CNN