O Brasil precisa de um diálogo mais maduro e fugir das polarizações causadas pelos debates sobre a redução da jornada de trabalho, defende Alexandre Furlan, presidente do conselho de relações do Trabalho da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Em entrevista ao CNN Money nesta quarta-feira (25), Furlan ressaltou que a discussão deve ocorrer, mas agora não é o momento oportuno.
“O que o Brasil precisa mais mesmo é de um diálogo mais maduro em relação a essas questões que hoje em dia acabam se polarizando”, defendeu.
“Nós não somos contra discutir redução de jornada, porque tem um percentual muito grande que já trabalha somente cinco dias por semana. A média brasileira é de 39,1 horas, segundo dados já explicitados pelo Ministério do Trabalho”.
O representante da CNI destacou que a discussão sobre redução de jornada precisa considerar a realidade das micro e pequenas empresas, que concentram mais da metade da mão de obra formal do país.
Segundo ele, 52% da mão de obra formal estão em empresas que têm até oito funcionários. “Fazer incremento tecnológico e melhorar o processo produtivo não é uma opção viável para todas”, explicou.
Furlan argumenta que a produtividade deve ser um fator primordial na discussão. Segundo ele, um trabalhador brasileiro produz sete vezes menos que um irlandês, quatro vezes menos que um americano e quatro vezes menos que um coreano.
“O Brasil vem crescendo a taxa de produtividade de menos de 1%, de 0,2% há muitos e muitos anos, há décadas. E os estudos feitos pela Organização Internacional do Trabalho mostram que somos o 95º do mundo em produtividade”, afirmou Furlan.
O membro da confederação ainda destaca que, na indústria, a média de horas trabalhadas fica entre 42 e 44 horas, de modo que uma possível redução deve ter um impacto significativo no setor.
O estudo da entidade aponta que, para compensar a redução de quatro horas na jornada semanal, as empresas precisariam pagar horas extras aos trabalhadores atuais ou contratar novos funcionários, o que aumentaria significativamente os custos operacionais.
“Hoje, reduzindo quatro horas, o trabalhador não vai produzir o mesmo. E o que isso vai acarretar? Aumento de custos“, concluiu Furlan.
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Fonte : CNN