wp-header-logo.png

Originário da Índia, o gado Zebu foi responsável por uma verdadeira transformação na pecuária brasileira. Rústico, resistente a parasitas e adaptado a altas temperaturas, o animal de cupim encontrou no clima tropical do Brasil condições ideais para se desenvolver, tornando-se base da produção de carne e leite em grande parte do território nacional.

Entre as raças zebuínas introduzidas no país, o Gir se destacou. Inicialmente direcionado à produção de carne, o trabalho de seleção genética evidenciou sua notável aptidão leiteira. Assim nasceu o Gir Leiteiro, hoje fundamental nos cruzamentos com o gado Holandês para a formação do Girolando — raça brasileira que combina a rusticidade do bos indicus com a alta produtividade do bos taurus. sssss

Agora, o Gir Leiteiro faz o caminho de volta às suas origens. Em uma operação inédita, embriões da raça estão sendo exportados para a Índia, marcando um novo capítulo na cooperação genética entre os dois países.

A iniciativa é conduzida pela Geneal Genética e Biotecnologia Animal em parceria com a Fazenda Floresta, referência na criação de Gir Leiteiro de alto padrão genético e produtivo, localizada em Lins (SP). O objetivo é levar à Índia material genético completo, capaz de acelerar o melhoramento do rebanho leiteiro local.

Segundo Rodolfo Rumpf, médico-veterinário especialista em genética e diretor técnico da Geneal, o diferencial está no tipo de material exportado. “Diferentemente do sêmen, que carrega apenas a genética do reprodutor, o embrião reúne o genoma completo — do macho e da fêmea. Isso possibilita o nascimento de animais que poderão se tornar futuros doadores de sêmen e óvulos na Índia, acelerando significativamente o avanço genético e ampliando a produção de leite no país”, explica.

A proposta é democratizar o acesso à genética superior, beneficiando pequenos e médios produtores indianos. A exportação ocorre de forma gradual: na primeira remessa foram enviados 185 embriões. Outros 346 estão em fase final de exames sanitários, e a meta é alcançar o envio de 2 mil embriões até agosto.

Protocolos sanitários rigorosos

Reconhecida no mercado de melhoramento genético, a Geneal, empresa da holding Brasif, atua em programas de fertilização, banco genético e foi pioneira na clonagem de bovinos no Brasil. A ampliação e modernização da infraestrutura da companhia têm sido determinantes para viabilizar operações internacionais de alta exigência sanitária, como a exportação de embriões para a Índia.

Para garantir total segurança, os animais doadores passam por quarentena, realizam uma bateria completa de exames e recebem suplementação nutricional específica antes do início da produção dos embriões. Todo o processo segue protocolos internacionais rigorosos de coleta, processamento e congelamento.

A operação conta ainda com suporte institucional da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), por meio do projeto Brazilian Cattle, além da ApexBrasil e de acordos sanitários bilaterais entre Brasil e Índia, que minimizam riscos sanitários.

De acordo com Rumpf, “o embrião é a forma mais segura de intercâmbio genético, com risco praticamente nulo de transmissão de enfermidades, desde que todos os protocolos sejam rigorosamente cumpridos”.

A Geneal já exportou mais de 12 mil embriões para mais de dez países e agora fortalece sua presença no mercado indiano, além de prospectar novas oportunidades na África e no Oriente Médio.

Na Índia, os embriões são recebidos pelo grupo B.L. Kamdhenu Farms Limited, responsável pela implantação nas receptoras e pela futura distribuição dos animais nascidos. A iniciativa integra o plano de expansão internacional da companhia brasileira, com foco na diversificação de mercados e no fortalecimento do segmento de genética e biotecnologia animal, consolidando a exportação de embriões como eixo estratégico da relação entre Brasil e Índia.

 

 

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu