wp-header-logo-7435.png

Nesta quarta-feira (24), uma autoridade da Casa Branca afirmou à agência Reuters que os militares americanos se concentrarão quase exclusivamente em impor uma “quarentena” ao petróleo da Venezuela nos próximos dois meses.

A declaração não apenas parece indicar que os Estados Unidos estão atualmente mais inclinados a utilizar pressão econômica em vez de ação militar contra Caracas, mas também marca uma mudança na linguagem adotada pelo governo americano.

No início do mês, o presidente Donald Trump determinou um “bloqueio” de todos os navios petroleiros sancionados que entrem ou saiam da Venezuela. Desde então, duas embarcações já foram apreendidas e a Guarda Costeira aguarda reforços para tentar interceptar um terceiro petroleiro.

A decisão da autoridade americana ouvida pela Reuters de utilizar a palavra “quarentena” ao invés de “bloqueio” parece refletir a estratégia utilizada pela Casa Branca durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, quando o governo de John F. Kennedy quis evitar uma escalada do conflito.

Robert McNamara, secretário de Defesa de Kennedy na época, disse em 2002: “Chamamos de ‘quarentena’ porque ‘bloqueio’ é uma palavra de guerra.”

A América Latina tem um longo histórico de bloqueios, que constituem um ato de guerra segundo o direito internacional

Relembre a Crise dos Mísseis de Cuba

Um ano após a Revolução Cubana de 1959, os Estados Unidos implementaram um embargo a Cuba em resposta a uma onda de nacionalizações que afetava os interesses americanos.

Um avião de patrulha P2V Neptune dos EUA sobrevoa um cargueiro soviético durante a crise dos mísseis de Cuba, nesta fotografia de 1962. • Getty Images
Um avião de patrulha P2V Neptune dos EUA sobrevoa um cargueiro soviético durante a crise dos mísseis de Cuba, nesta fotografia de 1962. • Getty Images

Esse embargo, posteriormente ampliado, permanece em vigor até hoje.

Em 1962, e por um breve período, o embargo transformou-se em um bloqueio total da ilha, no contexto da Crise dos Mísseis, desencadeada pela instalação de mísseis nucleares soviéticos em solo cubano.

Foi um dos momentos mais tensos da Guerra Fria e o ápice de uma escalada que começou mesmo antes da Revolução Cubana, quando os Estados Unidos instalaram seus próprios mísseis nucleares na Itália e na Turquia.

A tensão se intensificou em 1961 com a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, por dissidentes apoiados pelos EUA.

Os mísseis soviéticos em Cuba foram descobertos em setembro de 1962, e, em 22 de outubro, o então presidente dos EUA, John F. Kennedy, ordenou uma “quarentena” naval da ilha.

Ele evitou usar a palavra “bloqueio” para não dar conta de um estado de guerra, segundo relata o Departamento de Estado.

John F. Kennedy, 35º presidente dos Estados Unidos • Bettmann/Getty Images
John F. Kennedy, 35º presidente dos Estados Unidos • Bettmann/Getty Images

O conflito entre os Estados Unidos e a União Soviética foi finalmente evitado por meio de negociações entre Kennedy e o líder soviético Nikita Kruschev.

O bloqueio só foi suspenso em 20 de novembro de 1962, quando os soviéticos retiraram seus últimos bombardeiros de Cuba.

Para bloquear Cuba, Washington utilizou dois porta-aviões, o USS Enterprise e o USS Independence, além de duas esquadras de contratorpedeiros e um grande número de navios de apoio e logística no âmbito da Força-Tarefa 135, segundo a história oficial da Marinha.

Liderada pelo almirante Robert L. Dennison, essa frota interceptou durante um mês todos os navios mercantes e submarinos soviéticos que tentavam chegar a Cuba.

Navios de guerra da Argentina, Venezuela, Canadá e Reino Unido, todos aliados dos EUA na época, também participaram do bloqueio.

Com informações de Germán Padinger, da CNN en Español, e de Steve Holland, da Reuters

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/por-que-o-governo-trump-esta-pressionando-a-venezuela-entenda-em-5-pontos/

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu