A Câmara dos Deputados decidiu manter o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e suspender por seis meses o do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), em uma votação que surpreendeu analistas políticos. De acordo com apuração do analista Pedro Venceslau, no CNN 360°, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria sido peça-chave nesse resultado através de uma articulação discreta nos bastidores com a criação de um “blocão”.
Segundo pessoas próximas ao presidente da Casa, Hugo Motta realizou uma “arquitetura silenciosa” que permitiu a preservação dos mandatos dos dois parlamentares que representam lados opostos do espectro político. Aliados de Motta destacaram que ele é uma liderança que atua discretamente, buscando equilíbrio entre diferentes forças políticas.
Um ponto importante destacado pela apuração é que o “blocão” criado por Hugo Motta, composto por 257 parlamentares e que exclui tanto o PL quanto o PT, foi decisivo para garantir a maioria dos votos para salvar os mandatos. No caso de Zambelli, ela contou também com os votos do PL, enquanto Glauber recebeu apoio do PT, mas o núcleo consistente que garantiu a vitória em ambos os casos veio do bloco liderado por Hugo.
Demonstração de independência
A análise aponta que esta votação demonstrou a independência de Hugo Motta em relação ao deputado e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), contrariando a percepção de que seria tutelado pelo ex-mandatário. Fontes próximas a Hugo lembraram que Arthur Lira é desafeto de Glauber Braga, e mesmo assim o atual presidente da Casa conseguiu articular para preservar o mandato do deputado do PSOL.
Um interlocutor de Hugo Motta teria afirmado ao analista que “poder se exerce, não se mostra”, destacando que o presidente da Câmara nunca fez questão de exibir sua influência, mas simplesmente a exerce nos momentos decisivos. Esta articulação para salvar mandatos de parlamentares de campos políticos opostos seria uma demonstração clara dessa capacidade de liderança.
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Fonte : CNN