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O show do cantor Bad Bunny, 31, no intervalo do Super Bowl, neste domingo (8), foi marcado por mensagens sobre visibilidade dos porto-riquenhos, imigração e a valorização da cultura latina.

Ele usou o cenário, as participações especiais, o figurino e suas falas para passar mensagens políticas no palco de sua apresentação. Veja algumas abaixo.

“Juntos somos a América”

Um dos momentos centrais ocorreu quando o cantor ressignificou a tradicional frase “Deus abençoe a América”.

Ao utilizar a expressão típica dos EUA para listar nações de todo o continente, incluindo Chile, Argentina, México, Brasil, Uruguai, Guiana, Guatemala e Cuba, Bad Bunny reforçou o conceito de que a América é um território compartilhado, um continente, e não um país individual.

A mensagem, acompanhada pela projeção “Juntos somos a América”, serviu como um recado sobre inclusão e pertencimento ao incluir os próprios Estados Unidos como parte integrante dessa unidade continental.

Moradia portoriquenha

A cenografia apresentou a “La Casita”, uma réplica de moradia tradicional da ilha portoriquenha usada para representar as comunidades de origem do reggaeton.

O espetáculo também utilizou símbolos da fauna nativa, como o Sapo Concho —espécie em extinção usada como ícone de resistência territorial—, e a bandeira de Porto Rico com o triângulo azul claro.

Antes do início da música, o cantor saiu de um cenário que simulava uma plantação de cana-de-açúcar, remetendo às raízes agrícolas de seu território natal. O palco foi tomado por palmeiras e folhagens tropicais, criando uma ambientação que remetia às ruas e aos quintais da ilha.

Look minimalista

Ainda que as apostas estivessem divididas entre a Jacquemus (da qual foi rosto em 2022) e a Calvin Klein (marca que o escalou em 2025), o porto-riquenho optou por um caminho mais acessível — ao menos na etiqueta.

Ele surgiu com um visual monocromático e minimalista em tom creme, assinado pela fast fashion Zara, feito sob medida para a ocasião.

Os detalhes, porém, escondiam algumas mensagens importantes. O número 64, por exemplo, foi especulado por fãs como uma homenagem ao ano de nascimento de sua mãe.

O bordado, no entanto, carrega um peso histórico, uma vez que o 1964 marca um ponto de virada político e social fundamental na constituição de Porto Rico.

Já o Ocasio, estampado na área das costas, refere-se ao sobrenome materno de Benito Antonio Martínez Ocasio, que quis dividir com o público o tom familiar durante o espetáculo.

Repertório

A apresentação seguiu com “Yo Perreo Sola”, segundo momento musical do show. A canção, lançada em 2020, é um hino contra o assédio e defende o direito das mulheres de curtirem a pista de dança em paz.

O público do Super Bowl ouviu, em rede global, uma mensagem que já havia viralizado no clipe original, no qual Bad Bunny rompeu padrões de gênero e estilo.

O repertório também abriu espaço para posicionamentos políticos. Em “NUEVAYoL”, o cantor enviou uma mensagem de apoio aos imigrantes e à diáspora porto-riquenha em Nova York.

O título faz referência à pronúncia espanhola de “New York”, e o palco exibiu imagens que remetiam ao discurso “ICE out”, feito pelo cantor no Grammy, reforçando sua crítica às políticas migratórias dos Estados Unidos.

Outro momento de destaque foi a participação especial de Ricky Martin, que assumiu o microfone em “Lo Que Le Pasó a Hawaii”. A música aborda temas como colonização e gentrificação, usando o Havaí como metáfora para alertar sobre o futuro de Porto Rico diante do turismo predatório e da perda de identidade cultural.

Convidado no palco

Durante a apresentação, um menino subiu no palco para receber um troféu semelhante ao entregue no Grammy ao cantor — representando o próprio Benito na infância, vestindo a mesma roupa que ele posou para uma foto no Natal.

Nas redes sociais, os internautas criaram a hipótese que o tinha ligação com uma criança sendo reprimida por agentes de imigração.

*Com informações de Caroline Ferreira, da CNN Brasil, e Tatiana Cavalcanti, em colaboração para a CNN Brasil


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Fonte : CNN

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