Atletas da delegação dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Inverno se manifestaram nesta segunda-feira (9) após o presidente Donald Trump chamar o esquiador freestyle Hunter Hess de “verdadeiro perdedor”.
A declaração do presidente veio após o atleta afirmar que vivia sentimentos contraditórios ao representar o país diante do atual contexto social e político dos EUA, marcado pelo endurecimento das políticas migratórias e por protestos contra a atuação do ICE.
Ao ser questionada sobre como se sentia defendendo a seleção norte-americana após a fala de Trump, a snowboarder Bea Kim destacou o orgulho em representar o país, mas ressaltou a importância da diversidade e dos valores olímpicos.
“Há muitas opiniões diferentes nos Estados Unidos neste momento, estamos muito divididos. Eu, pessoalmente, tenho muito orgulho de representar o país”, afirmou. “Dito isso, acredito que a diversidade é o que nos torna fortes e especiais.”
Bea também lembrou as trajetórias pessoais das atletas da equipe. “Nós aqui hoje somos um exemplo disso. Viemos de contextos diferentes. Os pais da Chloe são imigrantes, os meus pais também imigraram para os Estados Unidos, e todas nós pudemos perseguir nossos sonhos e estar aqui hoje. Isso é o que torna as Olimpíadas tão especiais: reunir pessoas de diferentes países, unidas pelo esporte e pelos valores de excelência, amizade e respeito.”
A snowboarder Maddie Mastro adotou um tom semelhante, ao afirmar que sentimentos de orgulho e tristeza coexistem diante do cenário atual.
“Tenho orgulho de representar os Estados Unidos, mas também fico triste com o que está acontecendo em casa”, disse. “É duro, e sinto que não podemos fechar os olhos para isso. Ao mesmo tempo, represento um país que compartilha valores como gentileza e compaixão, e nós nos unimos em momentos de injustiça.”
Já a bicampeão olímpica Chloe Kim, filha de imigrantes sul-coreanos, destacou que o tema lhe atinge de forma direta. “O fato de meus pais serem imigrantes torna tudo isso muito pessoal para mim”, afirmou.
“Em momentos como esse, é importante nos unirmos e levantarmos uns pelos outros. Tenho orgulho de representar os Estados Unidos, o país que deu aos meus pais grandes oportunidades, mas também acredito que temos o direito de expressar nossas opiniões sobre o que está acontecendo. Precisamos liderar com amor e compaixão”, completou.
Relembre o episódio
Durante uma entrevista coletiva, o esquiador freestyle Hunter Hess afirmou viver “sentimentos contraditórios” ao representar os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Inverno.
Segundo o atleta, o atual cenário político e social do país torna o momento difícil, especialmente diante das políticas migratórias adotadas pelo governo Trump, como a deportação em massa e a atuação do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega).
“Representar os Estados Unidos agora traz emoções conflitantes”, disse Hess. “É um pouco difícil. Há muita coisa acontecendo da qual eu não sou fã, e acho que muita gente também não é.”
O atleta também afirmou que vestir a bandeira não significa endossar todas as ações do governo. “Só porque estou usando a bandeira não quer dizer que eu represente tudo o que está acontecendo nos Estados Unidos.”
As declarações provocaram reação imediata de Donald Trump, que usou sua rede social, a Truth Social, para atacar o esquiador.
“O esquiador olímpico americano Hunter Hess, um verdadeiro perdedor, diz que não representa seu país nestas Olimpíadas de Inverno”, escreveu o presidente. “Se for esse o caso, ele não deveria nem ter tentado entrar para a equipe, e é uma pena que esteja nela. É muito difícil torcer por alguém assim. FAÇA A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE!”
A polêmica ocorre em meio a uma onda de protestos na Itália contra a presença do ICE e do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. Como chefe da delegação presidencial dos EUA na Olimpíada de Inverno, Vance acompanhou a abertura dos Jogos em Milão na última quarta-feira (4) e já deixou a Itália, desembarcando na Armênia nesta segunda-feira (9) em viagem diplomática.
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Fonte : CNN