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O governo da Argentina anunciou um novo acordo com os Estados Unidos nesta quinta-feira (5).

O “Acordo de Comércio e Investimentos Recíprocos” prevê “uma relação estratégica entre ambos os países, baseada na abertura econômica, em regras claras para o intercâmbio internacional e em uma visão moderna da complementaridade comercial”, segundo comunicado oficial do presidente argentino, Javier Milei.

Jamieson Greer, Representante Comercial dos Estados Unidos e o Chanceler argentino Pablo Quirno • Divulgação: Chancelaria da Argentina
Jamieson Greer, Representante Comercial dos Estados Unidos e o Chanceler argentino Pablo Quirno • Divulgação: Chancelaria da Argentina

Concluído nesta quinta, uma base do acordo já havia sido anunciada em novembro passado.

Entre as medidas previstas no acordo, estão:

  • A redução de barreiras tarifárias e não tarifárias: segundo a Chancelaria da Argentina, os EUA eliminarão suas tarifas recíprocas para 1.675 produtos argentinos em “uma ampla gama de setores produtivos”. Expectativa é de recuperar US$ 1 bilhão em exportações. Além disso, o governo dos Estados Unidos ratificou seu compromisso de revisar as tarifas sobre o aço e o alumínio;
  • Facilitação do comércio de bens e serviços: o governo dos Estados Unidos concederá ampliação a 100.000 toneladas para o acesso preferencial da carne bovina ao seu mercado, o que permitirá aumentar em cerca de US$ 800 milhões as exportações argentinas do produto;
  • Modernização dos procedimentos aduaneiros;
  • Promoção do investimento em setores estratégicos como energia, minerais críticos, infraestrutura e tecnologia: os EUA trabalharão, por meio de instituições como o EXIM Bank (Banco de Exportações e Importações dos Estados Unidos) e a DFC (Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), para apoiar o financiamento de investimentos em setores críticos da Argentina, em colaboração com o setor privado norte-americano.

Em contrapartida, a Argentina vai:

  • Eliminar taxas sobre 221 posições tarifárias, como máquinas, material de transporte, dispositivos médicos e produtos químicos;
  • Reduzir para 2% outras 20 posições, principalmente autopeças;
  • Conceder cotas para veículos, carne e outros produtos agrícolas.

“Esses compromissos visam melhorar a competitividade sistêmica por meio da redução ou eliminação de tarifas sobre insumos e bens de capital e da simplificação de procedimentos, o que garantirá condições de previsibilidade para os setores envolvidos”, diz comunicado da Chancelaria da Argentina.

“Este instrumento não se limita ao comércio de bens, pois incorpora previsões para o comércio digital e estabelece um marco seguro e favorável para as atividades de startups, fintechs e empresas tecnológicas. Além disso, nosso país se compromete a adotar os padrões internacionais mais modernos em matéria de propriedade intelectual, a fim de aprofundar a desburocratização do setor para ampliar oportunidades em inovação e na promoção do talento argentino.”

Relação EUA-Argentina

Após a vitória de Donald Trump na corrida presidencial norte-americana de 2024, o governo Milei buscou se aproximar da gestão republicana. Desde então, o libertário argentino, que se diz um grande admirador de Trump, vinha ventilando a intenção de firmar um acordo de livre comércio com os EUA.

“Este entendimento reafirma a decisão do Governo Nacional de integrar a Argentina ao mundo, deixar para trás décadas de isolamento e avançar rumo a uma economia aberta, competitiva e previsível, que recompense o investimento, o trabalho e a inovação”, diz Milei no comunicado sobre o acordo desta quinta.

“A assinatura deste acordo, alcançado graças à visão de abertura e de integração regional do Presidente Javier G. Milei, e à sua excelente relação com o Presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, é mais um pilar que permite que hoje a Argentina volte a fazer parte do mundo ocidental. Nosso país se encontra diante de uma situação única em sua história para recuperar a liderança global, tanto política quanto econômica, e demonstrar que a Argentina tem tudo para recuperar sua grandeza de outrora.”

O acordo ainda depende de aprovação do Congresso argentino.

Em comunicado da Chancelaria argentina, o órgão de relações exteriores destaca que a Argentina é o primeiro país da América do Sul a firmar um acordo “desta magnitude, […] com acesso preferencial ao mercado norte-americano”.

Na véspera, os países já haviam anunciado um outro acordo de cooperação no setor de minerais críticos.

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Fonte : CNN

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