Depois de ter investido com força em mobilidade urbana e entrado em saneamento básico, a gigante espanhola Acciona está interessada em projetos de ferrovias e data centers no Brasil, além de energias renováveis.
A informação foi antecipada pelo CEO da Acciona no Brasil, André De Angelo, em entrevista ao programa semanal Conexão Infra.
“Ferrovias, data centers e energias renováveis estão no radar”, disse De Angelo ao comentar os eventuais próximos passos do grupo no país.
A EF-118, conhecida como Anel Ferroviário do Sudeste, e a Ferrogrão foram mencionadas pelo executivo como projetos de interesse.
“Esperamos que os projetos sejam modelados de forma que a iniciativa privada se sinta atraída e possa ter a rentabilidade adequada ao investir”, afirmou.
A sinalização da Acciona é considerada relevante no mercado porque as concessões de ferrovias têm sido uma aposta de diversos governos, mas há dificuldades em fechar uma modelagem viável para viabilizar os empreendimentos e seduzir investidores.
A EF-118, que vai ligar os municípios de Santa Leopoldina (ES) e São João da Barra (RJ), prevê investimentos de R$ 6,6 bilhões em sua implantação.
Com 246 quilômetros de extensão, a ferrovia vai atender o Porto do Açu (RJ) e poderá transportar até 24 milhões de toneladas por ano.
O plano de outorga da EF-118 foi aprovado pelo Ministério dos Transportes e seus estudos aguardam análise do TCU (Tribunal de Contas da União).
De Angelo também classificou a Ferrogrão, projetada entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), como “superestruturante” para o país.
“São projetos que nos interessam, mas existem ajustes que precisam ser realizados”, ponderou.
Portfólio
A Acciona está presente no Brasil desde 1997, com investimentos em áreas como energia e rodovias, mas De Angelo considera a entrada na Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo como um “divisor de águas” para a empresa no país.
Com pouco mais de 15 quilômetros de extensão e 15 estações, entre Brasilândia e São Joaquim, a nova linha terá um primeiro trecho entrando em funcionamento ainda em 2026. O segundo trecho deverá entrar em operação em 2027.
Mais recentemente, a Acciona apostou forte em saneamento básico, arrematando três contratos de PPP (Parceria Público-Privada) de água e esgoto: da Sanepar (PR), da Cesan (ES) e da Compesa (PE).
A empresa também levou um contrato da Prefeitura de São Paulo para a construção de um trecho de quase cinco quilômetros, na zona sul da capital paulista, no valor de R$ 2,1 bilhões. As obras envolvem três faixas em cada sentido para conectar a Avenida Jornalista Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes e a criação de um parque linear ao longo do Córrego Água Espraiada.
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Fonte : CNN