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Um documento com anotações do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), revela as estratégias do partido nos estados para as eleições de outubro. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela CNN Brasil com fontes do PL.

No registro, intitulado como “Situação nos Estados”, Flávio imprimiu o rascunho dos palanques dos 26 estados e do Distrito Federal e fez anotações à mão durante uma reunião na sede do PL em Brasília, na terça-feira (24).

São Paulo

No topo do documento, uma anotação: “ligar Tarcísio”. Na sequência, o nome de Felicio Ramuth (PSD), vice-governador de São Paulo, aparece acompanhado por um cifrão. Já o nome do presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), André do Prado (PL), é mencionado como um possível nome para disputar a vaga de vice ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

As anotações confirmam a estratégia do PL de apostar na reeleição de Tarcísio em São Paulo. Para o Senado, o nome do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) aparece no documento escrito à mão. Um dia depois, na quarta-feira (25), Derrite e Flávio visitaram Bolsonaro na Papuda e o senador confirmou o nome do deputado para a disputa.

Com o governador do Republicanos e a primeira vaga do Senado com o PP, o PL aposta em um nome do próprio partido para disputar a segunda cadeira. Em coletiva após visitar Bolsonaro na quarta-feira (25), Flávio afirmou que o pai ainda quer conversar com Eduardo Bolsonaro para definir a segunda cadeira.

Para essa segunda vaga, Flávio rascunhou os nomes de Renato Bolsonaro (PL), irmão do ex-presidente, do deputado federal Mario Frias (PL-SP), do vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), e do deputado federal Marco Feliciano (PL-SP). Além desses nomes, aparece também a abreviação “EB”, fazendo referência ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), filho “03” do ex-presidente, que se autoexilou nos Estados Unidos.

Rio de Janeiro

Já no Rio de Janeiro, as anotações confirmam o anúncio do partido também na terça-feira (24). Douglas Ruas (PL) e Rogério Lisboa (PP) foram escolhidos para disputar como governador e vice-governador. O senado ficou com o atual governador Cláudio Castro (PL) e Marcio Canella (União). Nas anotações, o nome de Canella é acompanhado por um ponto de interrogação. Flávio também escreveu o nome do secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, que ficou de fora da chapa oficializada.

Minas Gerais

Em Minas Gerais, Flávio deixa transparecer a desconfiança com o atual vice-governador do estado, Mateus Simões (PSD). Flávio anotou: “Me puxa p/ baixo se for candidato”. Um outro nome que aparece como opção para disputar o governo de Minas é o de Flávio Roscoe, presidente da Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais). Ao lado do nome de Roscoe, Flávio escreveu: “Conversa c/ Nikolas”.

Para o Senado, o documento traz quatro nomes: Carlos Viana (Podemos), Marcelo Aro (PP), Eros Biondini (PL) e Domingos Sávio (PL). Flávio dá ênfase, com uma caneta azul, a dois desses: Carlos Viana e Domingos Sávio.

Bahia

Já na Bahia, o cenário aparece mais em aberto. Flávio anota: “Conversar 1° (com ACM Neto) e depois tratamos de palanque completo”. Para o governo do estado, o PL aposta no ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), e para o Senado, o documento aponta o nome do presidente do PL na Bahia, João Roma.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, Flávio rascunhou um “ok” ao lado do estado, indicando um palanque mais avançado. O deputado federal Luciano Zucco (PL) aparece como o nome escolhido para disputar o governo do estado. Os deputados Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) são os nomes do Senado.

Flávio também escreveu: “Ligar p/ o Onyx e comunicar. Oferecer vice p/ PP (Covatti aceita)”. Onyx Lorenzoni foi ministro de diversas pastas no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e também foi candidato ao cargo de governador do Rio Grande do Sul, em 2022. Já Covatti Filho é deputado federal pelo PP.

Paraná

No Paraná, mais indefinições. Dois nomes aparecem para o governo do estado: Guto Silva (PSD), secretário das Cidades do Estado, e o senador Sergio Moro (União Brasil). No nome de Guto, uma anotação de Flávio: “Ratinho Jr.”, fazendo referência ao atual governador do estado.

Sobre o Paraná, Flávio ainda escreve que o deputado federal Fernando Giacobo (PL) não pode ser candidato. Para o Senado, há três opções: o deputado federal Filipe Barros (PL), que aparece como o preferido de Flávio, já que o senador anotou “só apoiamos ele”. Cristina Graeml (Podemos) e Deltan Dallagnol também aparecem como opções. No caso de Graeml, Flávio descartou a curitibana, escrevendo que ela “atrapalharia Filipe”. No caso de Dallagnol, Flávio anotou que o jurista é o candidato de Ratinho Jr., está em primeiro lugar nas pesquisas e que ele “se garante”.

Pernambuco

Em Pernambuco, apesar da atual governadora do estado, Raquel Lyra (PSD), acenar para o governo Lula, é o nome dela que aparece como opção do PL para disputar o governo. No Senado, o documento sugere três nomes: o ex-deputado Anderson Ferreira (PL), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União), alvo da PF (Polícia Federal) em operação contra desvio de emendas nesta quarta-feira (25), e o deputado federal Mendonça Filho (União). Flávio ainda escreve que o deputado federal Coronel Meira (PL-PE) “gosta” de Mendonça Filho, mas Gilson Machado, ex-ministro de Bolsonaro, não gosta.

Mato Grosso do Sul

Outra anotação que chama atenção é no Mato Grosso do Sul. Flávio escreveu que o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) “pediu 15 mi p/ não ser candidato”.

Um dia depois de as informações das anotações serem divulgadas, Flávio Bolsonaro falou com a imprensa sobre o assunto: “Fiz uma anotação que já está sendo distorcida pela imprensa, como se ele tivesse pedido alguma coisa. Estava escrito ali: ‘Pollon pediu 15 milhões para não ser candidato’. Aquilo nunca aconteceu. A parte da imprensa que estiver falando que ele pediu isso é mentira. O que aconteceu foi que uma pessoa que conversou comigo e disse que estavam dizendo isso do Pollon. Eu anotei para não esquecer de avisar a ele”, afirmou Flávio.

Alagoas

Em Alagoas, dois nomes aparecem para o governo do estado: o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado federal Alfredo Gaspar (União), que é relator da CPMI do INSS. Ao lado do nome de JHC, Flávio escreve: “Conversar até dia 15 de março”. Já as anotações relacionadas a Alfredo Gaspar apontam um favoritismo de Flávio: “Único que pedirá voto p/ mim”.

Para o Senado, apenas um nome aparece impresso, o de Marina Cândida (PL), esposa de JHC. À mão, Flávio ainda escreve o nome de Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara, seguido por um ponto de interrogação e a sigla “JB”, fazendo referência a Jair Bolsonaro.

Distrito Federal

No Distrito Federal, as anotações confirmam os nomes que Flávio já tinha anunciado publicamente na quarta. Para o Senado, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL). Para o governo, o nome da vice-governadora Celina Leão (PP) aparece como uma possibilidade. Flávio ainda fez uma anotação à mão: “Se Ibaneis for candidato ao Senado, não dá p/ oficializar c/ Celina”.

Nos bastidores, a ex-primeira-dama teria ficado incomodada pelo anúncio do nome dela ao Senado ter sido feito por Flávio. Michelle pretendia ela mesma fazer o anúncio, interlocutores da ex-primeira-dama afirmam, porém, que a candidatura não está totalmente garantida. E que Michelle vem lutando pelo nome de Celina na chapa do PL.

Santa Catarina

Em Santa Catarina, o imbróglio foi resolvido. O nome do senador Esperidião Amin (PP) foi descartado pelo PL. No documento, Flávio fez um “X” à mão em cima do nome de Amin. O Senado fica com o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) e a deputada federal Caroline de Toni (PL). Jorginho Mello será candidato à reeleição ao governo estadual.

Em um primeiro momento, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto descartou o nome de De Toni para disputar o Senado. Valdemar teria afirmado à deputada federal que a vaga ao Senado em Santa Catarina pertencia a Amin, decisão que reforçaria a aliança do PL com o PP, partido presidido por Ciro Nogueira.

Valdemar chegou a oferecer a vaga de vice-governadora ou a reeleição, acompanhada da promessa de liderança do PL na Câmara em 2027. A deputada recusou e anunciou que deixaria o partido.

A deputada, então, recebeu apoio da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro (PL), que usou as redes sociais para postar duas fotos, uma da parlamentar abraçada com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outra de Michelle de mãos dadas com De Toni. A ex-primeira-dama ainda escreveu: “Estaremos com você”.

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Fonte : CNN

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