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A administração de Donald Trump enfrenta crescentes divisões internas relacionadas à guerra no Irã, com a recente renúncia do diretor do Centro Nacional Antiterrorismo, Joe Kent, como forma de protesto contra o conflito. Segundo análise da Fernanda Magnotta, no CNN 360°, o presidente americano demonstra não querer rever sua conduta ao tentar descredibilizar figuras que se opõem à sua política externa.

Magnotta comparou a situação atual com outros momentos históricos de divisão na política externa americana, como a Guerra do Vietnã nos anos 1960 e a Guerra do Iraque. “São dois casos bastante típicos em que a divergência interna e o desembarque de figuras técnicas respeitadas de serviço público de longo prazo representaram uma crise no seio de legitimidade desses conflitos”, explicou a analista.

A especialista lembrou casos emblemáticos como o de George Ball, subsecretário de Estado do presidente Lyndon B. Johnson, que criticou a Guerra do Vietnã em 1966, e Richard Clarke, então czar do contraterrorismo de George W. Bush, que abandonou o governo em 2003 por estar desiludido com a decisão de invasão do Iraque. Segundo Magnotta, a renúncia de Joe Kent segue esse precedente histórico que costuma abrir crises não facilmente contornáveis.

Estratégia de desqualificação

Enquanto presidentes anteriores foram forçados a repactuar com suas bases e fazer ajustes de rota diante de crises semelhantes, Trump tem adotado uma postura diferente. “No caso do presidente Trump, me parece que a tendência, em geral, é dobrar a aposta, tentar desqualificar no nível pessoal essas figuras, como ele tem feito com o agora ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo”, observou Magnotta.

A analista também destacou que os Estados Unidos não conseguiram atingir seu objetivo original na operação contra o Irã, que seria uma transição de regime. Diante disso, Trump tem recalibrado o discurso, abandonando a versão inicial sobre a intenção da operação para focar em uma vitória exclusivamente tática militar. “O objetivo não é mais político, porque o objetivo político mantido representaria reconhecer uma derrota”, explicou.

Segundo Magnotta, esse deslocamento de enquadramento do objetivo da guerra e a requalificação do que passa a ser visto como vitória é uma forma de admitir indiretamente que algo não saiu como planejado. A analista também mencionou que a saída de Kent reflete uma crítica mais ampla à política externa americana: a de que os Estados Unidos estariam agindo como linha auxiliar de Israel, em vez de defender seus próprios interesses nacionais.

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Fonte : CNN

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