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A guerra no Oriente Médio fez os preços do petróleo dispararem – e governos do mundo todo notaram isso. Com isso, as maiores economias do planeta consideram a liberação emergencial de milhões de barris de petróleo.

Mas especialistas afirmam que mesmo dezenas de milhões de barris são como “uma gota no oceano” quando se trata das necessidades globais de petróleo.

Isso porque o mundo, e os Estados Unidos, consomem tanto petróleo todos os dias que mesmo uma liberação única relativamente grande não será capaz de compensar o fechamento contínuo do Estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte global de petróleo, que foi bloqueada por conta da guerra.

“Não é nulo, mas o efeito provavelmente será bem pequeno”, apontou Daniel Raimi, pesquisador do think tank de energia Resources for the Future, sobre uma liberação coordenada.

“Quando você considera o volume do comércio global de petróleo, em torno de 100 milhões de barris por dia, mesmo uma liberação coordenada da Reserva Estratégica de Petróleo (conhecida pela sigla SPR, do inglês Strategic Petroleum Reserve) terá um impacto modesto nos preços globais do petróleo”, continuou.

O grupo das sete maiores economias do mundo, o G7, insinuou que poderia liberar petróleo, mas nada foi especificado ainda.

“Estamos prontos para tomar as medidas necessárias, inclusive para apoiar o fornecimento global de energia, como a liberação de reservas”, afirmou o G7, que inclui Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, em um comunicado após uma reunião na segunda-feira (9).

O petróleo Brent, referência internacional, fechou em alta de quase 7% na segunda-feira (9), a US$ 98,96 o barril, o maior preço de fechamento desde 2022.

“Estamos buscando manter os preços do petróleo baixos. Eles subiram artificialmente”, disse o presidente Donald Trump em uma coletiva de imprensa. “Eu sabia que os preços do petróleo subiriam se eu fizesse isso, e subiram, provavelmente menos do que eu imaginava”, declarou.

Reservas de petróleo

Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que elevou os preços do petróleo, o G7 coordenou a liberação de 240 milhões de barris das reservas, incluindo 180 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA.

Os preços da gasolina caíram em relação ao pico de US$ 5 por galão em junho de 2022, mas especialistas afirmam que a liberação de reservas de petróleo do G7 ajudou apenas marginalmente. Uma análise do Departamento do Tesouro dos EUA, em julho de 2022, constatou que a medida reduziu os preços da gasolina em apenas 17 cents, para 42 cents de dólar por galão.

“Se não fossem as liberações de reservas de petróleo, provavelmente teríamos tido gasolina acima de US$ 5 por galão por várias semanas (em 2022), ao invés de apenas por alguns dias”, argumentou Tom Kloza, analista independente de petróleo e consultor da Shell Oil.

O fator mais importante para a queda dos preços do petróleo agora é a reabertura do Estreito de Ormuz, que está praticamente fechado ao tráfego de petroleiros. 20% do petróleo mundial passa por esse canal.

“A menos que o tráfego no Estreito de Ormuz seja retomado em breve e continue, as liberações da Reserva Estratégica de Petróleo causarão apenas uma breve pausa antes que os preços do petróleo bruto voltem a subir”, destacou Bob McNally, presidente e fundador do Grupo de Energia de Rapidan.

Com o consumo global de petróleo em torno de 100 milhões de barris por dia, nenhuma liberação pontual compensará o fechamento do Estreito por um período prolongado.

E se a guerra se prolongar, liberar petróleo da SPR hoje limitará as opções futuras.

A SPR dos Estados Unidos possuía cerca de 600 milhões de barris de petróleo antes da guerra na Ucrânia. Hoje, esse número é de 415 milhões de barris.

“O problema das reservas de emergência é que elas só podem ser usadas uma vez”, sinalizou Neil Atkinson, pesquisador visitante do Centro Nacional de Análise de Energia. Sem reposição, “quando elas acabarem, acabaram”.

*Matt Egan e David Goldman, da CNN, contribuíram com esta matéria

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Fonte : CNN

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