O Irã encontra-se em posição de extrema vulnerabilidade militar para responder aos ataques deste sábado (28) coordenados por Israel e Estados Unidos contra seu território. A avaliação foi apresentada em análise de Américo Martins que detalha o enfraquecimento do regime iraniano e de seus aliados no Oriente Médio.
Nos últimos meses, diversos grupos apoiados pelo Irã sofreram derrotas significativas que comprometeram a capacidade de defesa do país. O Hamas na Faixa de Gaza, por exemplo, foi praticamente derrotado, mantendo controle apenas sobre parte do território palestino. O Hezbollah perdeu seus principais líderes no sul do Líbano e enfrenta maior oposição no próprio país. Na Síria, o regime de Assad, que dependia fortemente do apoio iraniano, também foi enfraquecido, com Israel ocupando parte do território sírio próximo às colinas de Golã para impedir ataques de milícias financiadas pelos iranianos.
Isolamento regional e internacional
O cenário de isolamento do Irã se agrava pela situação de seus outros aliados regionais. Os Houthis foram bombardeados não apenas por Israel, mas também pelos americanos, enquanto diversas milícias em países como o Iraque também foram atingidas. Essa sequência de golpes contra os grupos apoiados pelo Irã fez parte dos cálculos estratégicos de americanos e israelenses antes de lançarem os ataques diretos contra o território iraniano.
A crise econômica interna também compromete a capacidade do Irã de financiar e armar esses grupos aliados. Somam-se a isso os protestos populares contra o regime, descrito como uma “ditadura teocrática extremamente impopular”. No cenário internacional, o país não pode contar com apoio militar efetivo de potências como Rússia e China.
A Rússia, envolvida no conflito com a Ucrânia e enfrentando suas próprias dificuldades militares, limita-se a protestos diplomáticos, sem capacidade para oferecer ajuda militar ao Irã. Já a China, que importa grande quantidade de petróleo iraniano, teme perder acesso a esse recurso caso ocorra uma mudança de regime, mas também não demonstra disposição para intervir militarmente.
Esta conjuntura de enfraquecimento regional, crise interna e ausência de apoio internacional coloca o Irã numa posição defensiva sem precedentes, tendo que enfrentar sozinho as consequências dos ataques de duas grandes potências militares.
Entenda
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os ataques do país com Israel contra o Irã neste sábado (28). Trump descreveu a campanha militar como “massiva e contínua”, acrescentando que vidas americanas podem ser perdidas como resultado.
Trump afirma que o objetivo da ofensiva é “defender o povo americano” do que chamou de “ameaças do governo iraniano“. Em um vídeo publicado na rede social Truth Social, o presidente dos EUA disse que irá destruir os mísseis do Irã e garantir que o país do Oriente Médio não terá armas nucleares.
Um oficial israelense afirmou que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi alvo do ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao país iraniano neste sábado. A informação também foi confirmada à CNN por duas fontes próximas à operação militar.
Como resposta, o Irã atacou bases americanas nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait. Outros países atingidos até o momento são Jordânia e Iraque. Segundo a equipe da CNN, é um ataque sem precedentes no Oriente Médio.
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Fonte : CNN