O Irã oficializou o fechamento do Estreito de Ormuz, passagem crucial por onde circulam cerca de 20% do petróleo e gás mundial, e ameaçou incendiar qualquer navio petroleiro que tente cruzar a região. A medida acontece em meio à escalada do conflito com Israel e Estados Unidos, que já resultou na morte de dezenas de autoridades iranianas, incluindo o líder espiritual do país. A análise foi feita durante o WW.
Segundo informações obtidas pela CNN, a embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita foi atingida por drones iranianos, em um dos vários ataques contra alvos militares e diplomáticos americanos na região. Outras representações diplomáticas, como a do Kuwait, também foram alvo de ataques no domingo e na segunda-feira, levando funcionários a buscarem abrigo e a evitarem áreas próximas a janelas.
“É um conflito de alta intensidade, múltiplos vetores, armamento de última geração, o Trump projetando um conflito que dure mais de um mês para atingir quatro objetivos: acabar com os próxis, problema nuclear, mísseis balísticos e a marinha iraniana”, apontou o analista Caio Junqueira.
Nova fase de ataques contra o Irã
Tanto Donald Trump quanto o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmaram que uma onda de ataques mais intensa contra o Irã ainda está por vir.
Uma alta fonte do governo americano revelou à CNN que essa nova fase, prevista para começar dentro de 24 horas, terá como foco o programa de mísseis balísticos do Irã, visando destruir sua capacidade de produção. Segundo essa fonte, os Estados Unidos consideram que já diminuíram consideravelmente as defesas iranianas e agora focam no ataque ao programa de mísseis.
“Desde a guerra no Irã e Iraque, o Irã adotou a doutrina da dispersão geográfica, da mobilidade e da ocultação do seu arsenal de mísseis e disparadores”, apontou o analista da CNN, Lourival Sant’Anna.
O discurso americano está alinhado com o do exército de Israel, que também afirmou que deve iniciar em breve uma nova fase de ataques contra o Irã. As autoridades da Casa Branca já conversaram com líderes do Congresso para defender a legalidade das operações, enquanto a oposição se movimenta para aprovar um projeto que proíbe o uso de força militar no Irã sem autorização do Congresso.
Complexidade do regime iraniano
Especialistas apontam que, apesar dos ataques intensos, a queda do regime iraniano não é um objetivo facilmente alcançável. O regime é estruturado de forma horizontalizada, não sendo personalista nem dependendo de uma única figura.
A eliminação do líder espiritual Ali Khamenei não altera fundamentalmente a força e a estrutura do regime, composto por diversas correntes políticas, incluindo teocratas, reformistas, moderados e a poderosa Guarda Revolucionária.
“Precisava começar por ele, o líder espiritual, porque se você começa a bombardear, depois você perde a chance de decapitar o regime, todo mundo se esconde”, afirmou Sant’Anna.
A Guarda Revolucionária controla setores estratégicos como tecnologia, inteligência, comunicação e energia, tornando-se uma força robusta dentro do Estado iraniano.
“É muito difícil dizer agora se o regime vai cair”, disse Hussein Kalout, cientista político e pesquisador de Harvard: “O regime iraniano é estruturado de forma horizontalizada, não depende de uma única figura. A eliminação de Ali Khamenei não mina a capacidade do regime resistir e retaliar”.
“É preciso haver uma força de mobilização popular muito forte que leve à queda do regime, simultaneamente com o enfraquecimento da Guarda Revolucionária”, acrescentou.
Pelo contrário, o processo de bombardeio contra a infraestrutura militar iraniana tem gerado um sentimento de união nacional, enquanto a oposição iraniana permanece fragmentada, com grande parte dela sendo anti-americana: “Ela é nacionalista por excelência”, apontou Kalout.
O conflito atual representa a maior mobilização militar no Oriente Médio em duas décadas e tem potencial para se espalhar por toda a região, com graves implicações econômicas e geopolíticas. A ameaça ao Estreito de Ormuz, em particular, pode levar ao aumento do preço do petróleo em várias partes do world, afetando a economia global.
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Fonte : CNN