O governo americano acompanha com preocupação a situação no Estreito de Ormuz, importante rota marítima para o comércio global de petróleo. Desde o início da guerra no Oriente Médio, o Irã atacou mais de dez embarcações na região, resultando em uma disparada no preço do petróleo, que fechou a sexta-feira (13) acima dos US$ 103, maior valor registrado desde junho de 2022.
A administração americana busca alternativas para conter a alta nos preços do combustível. Uma das medidas tomadas foi a retirada temporária das sanções sobre o petróleo russo. Com isso, os países poderão comprar o combustível de Moscou por um período de um mês, desde que o produto já estivesse em embarcações até a madrugada de sexta-feira. No entanto, essa decisão gerou preocupação entre lideranças europeias, que temem o fortalecimento do esforço de guerra da Rússia contra a Ucrânia.
O Irã demonstra sua estratégia de guerra assimétrica ao utilizar meios relativamente baratos, como minas navais e drones, para causar grande impacto econômico global. Segundo especialistas, esse cenário já era previsto pelo Pentágono, considerando precedentes históricos como a guerra Irã-Iraque na década de 1980, quando houve diversos ataques a petroleiros na região.
Em entrevista ao WW, o professor da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin chama a atenção para a diferença dos recursos de Irã em comparação a Israel e aos Estados Unidos: “Estamos vendo um plano que torna essa guerra muito custosa a Israel e Estados Unidos. As minas navais são armas muito baratas e Irã tem de 2.000 a 6.000 delas, comparado ao esforço de Israel que não aparenta dar os retorno políticos que Trump gostaria, embora os retornos militares sejam evidentes”.
Impacto econômico e estratégico
A situação no Estreito de Ormuz representa um desafio significativo para os Estados Unidos e seus aliados. Os iranianos estão considerando permitir a passagem de um pequeno número de petroleiros, desde que o comércio seja feito em yuan, a moeda chinesa, o que reduziria a influência do dólar no mercado internacional de petróleo.
Apesar do poderio militar americano e dos ataques bem-sucedidos contra infraestruturas militares iranianas, o resultado político da operação permanece incerto. O país persa ainda mantém controle sobre o Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente 20% do petróleo mundial, e continua impondo condições para a navegação na região.
Durante análise ao WW, o analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna diz que, políticamente, o Irã elava o custo da guerra quando o presidente americano, Donald Trump, não consegue provar que essa era uma “guerra de necessidade”. Lourival explica: “O principal impulso de Trump é colocar uma marca profunda do nome dele na história. Ao longo da vida ele perseguiu essa vontade sacrificando êxitos reais em nome do objetivo psicológico”.
Analistas apontam que, embora os Estados Unidos tenham obtido vitórias militares significativas, destruindo parte da infraestrutura nuclear iraniana, lançadores de mísseis e bunkers com drones, o regime de Teerã não demonstra sinais de enfraquecimento político interno. A guerra assimétrica utilizada pelo Irã tem se mostrado eficaz em elevar os custos do conflito para os americanos e seus aliados, afetando diretamente a economia global através da alta no preço do petróleo.
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Fonte : CNN