Manifestações organizadas pela direita em mais de 20 cidades brasileiras neste domingo (1º) marcaram uma tentativa de demonstração de unidade após recentes desentendimentos entre lideranças do campo conservador. Os protestos tiveram como alvos principais Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal. Análise é de Matheus Teixeira, ao Agora CNN.
Durante os atos, Flávio Bolsonaro adotou um tom mais moderado em seu discurso, diferenciando-se da postura tradicionalmente adotada por seu pai em eventos semelhantes. “Disse que ministros que descumprem a lei e a Constituição merecem sim impeachment, mas não citou nominalmente, não pediu abertamente o impeachment de um ministro determinado”, apontou o analista.
“Como ele mesmo tem dito, ele é Bolsonaro que tomou vacina, ou seja, ele é muito mais moderado que o pai e ele deu mais uma prova nesse sentido no discurso durante a manifestação agora pouco”, afirmou Teixeira.
Nikolas Ferreira, por exemplo, não apenas pediu o impeachment de Alexandre de Moraes, como também defendeu a prisão do ministro. Ferreira ainda mencionou questões envolvendo Dias Toffoli e suas supostas relações com Daniel Volcari e o Banco Master.
“Flávio faz um gesto ao Supremo, diz que o Supremo nunca foi o alvo prioritário e seguiu essa linha de ser um pouco mais moderado que seu pai”, disse Matheus Teixeira.
Tentativa de reconciliação entre aliados
Um ponto importante das manifestações foi a tentativa de superar divergências recentes entre aliados de Bolsonaro. Na semana anterior, Eduardo Bolsonaro havia acusado Nikolas Ferreira e Michele Bolsonaro de “amnésia” por não declararem apoio explícito à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Paralelamente, o pastor Silas Malafaia, figura influente na direita, havia declarado que Flávio não seria o candidato ideal.
Durante o ato, observou-se um esforço para demonstrar reconciliação: Flávio elogiou Malafaia em seu discurso, enquanto Nikolas fez um afago a Eduardo Bolsonaro, mencionando “todos que estão fora do país” para fugir do que chamou de perseguição promovida por Alexandre de Moraes contra a direita.
As manifestações evidenciaram a estratégia da oposição de tentar construir uma imagem de coesão, fundamental para a consolidação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República, em um momento em que o campo conservador enfrenta disputas internas de protagonismo e divergências sobre rumos políticos a serem seguidos.
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Fonte : CNN