O ministro Flávio Dino, mais recente integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou destaque nos bastidores da Corte ao articular a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria da investigação sobre o Banco Master. Dino foi considerado peça-chave na construção de um acordo que evitou o agravamento da crise interna no tribunal. A análise é de Matheus Teixeira, ao Bastidores CNN.
“Tinha uma divisão interna sobre a validade jurídica desse relatório da Polícia Federal, uma vez que a leitura de parte dos ministros era que o próprio presidente, Edson Fachin, devia ter recebido e rejeitado de prontidão, porque não existe a Polícia Federal levar esse tipo de pedido, na leitura dos ministros, para o Supremo Tribunal Federal”, relatou o analista: “Mas, outros ministros entendiam que, apesar da questão controversa do aspecto jurídico, tinha sim que o Supremo dar sim uma resposta conjunta sobre o tema”.
Um julgamento sobre o relatório da PF poderia expor ainda mais o racha interno e agravar o clima ruim já instalado. Foi nesse contexto que Flávio Dino propôs uma solução intermediária: todos os ministros fariam um apoio público a Dias Toffoli, em um gesto de unidade do Supremo, mas, em contrapartida, Toffoli deveria deixar a relatoria do caso.
Experiência política como diferencial
A proposta de Dino foi aceita, mesmo por Toffoli, que vinha afirmando nos bastidores que não deixaria a relatoria de jeito nenhum. Até poucas horas antes de recuar, o ministro ainda despachava e tomava decisões importantes no caso, como determinar que a Polícia Federal enviasse todas as provas para o STF.
“Justamente para tentar estancar a crise, e vendo que a situação poderia piorar, ele acabou aceitando – e o ministro Flávio Dino, que é o mais novo na corte, o último a ser nomeado, é quem deu essa proposta, deixando claro que a leitura de Lula, que precisava de alguém com uma boa percepção de como a sociedade está acompanhando os movimentos, acabou fazendo valer, dando certo”, apontou Matheus Teixeira.
A habilidade demonstrada por Dino reforça a escolha feita pelo presidente Lula ao indicá-lo para o cargo. Na época da indicação, Lula afirmou publicamente que queria alguém com experiência política e capacidade para lidar com momentos delicados de crise.
Diferentemente de ministros recém-chegados à Corte, que geralmente levam tempo para ganhar protagonismo, Dino rapidamente conquistou respeito entre os colegas. Sua trajetória como juiz, governador, senador e deputado contribuiu para que ele exercesse um papel de interlocutor entre as diferentes alas do tribunal.
Em vez de se alinhar a um dos lados nas divisões internas do STF, como ocorreu em momentos como a Lava Jato, Dino tem servido como uma ponte entre grupos divergentes. Essa postura de mediador tem fortalecido sua posição e ampliado sua influência nos bastidores da Corte, mesmo sendo o ministro mais novo.
source
Fonte : CNN