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A economia brasileira registrou crescimento de apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2024, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira. Resultado, que ficou abaixo dos 0,4% registrados no trimestre anterior, confirma a tendência de desaceleração econômica que vem sendo observada nos últimos meses. A análise é do âncora do CNN Money Gabriel Monteiro, ao Live CNN.

Na comparação anual, o PIB (Produto Interno Bruto) apresentou crescimento de 1,8%, número inferior aos 2,2% registrados no trimestre anterior, evidenciando a perda gradual de força da economia brasileira. A desaceleração ocorre em um cenário de juros elevados, atualmente em 15%, a maior taxa em 19 anos, que tem como objetivo principal conter a inflação.

Pela ótica da produção, o setor agropecuário surpreendeu com crescimento de 0,4% no trimestre, impulsionado por uma estratégia adotada pelos produtores rurais de guardar estoques de soja para venda no segundo semestre, aproveitando os preços elevados decorrentes da disputa comercial entre Estados Unidos e China. A indústria também apresentou leve recuperação em relação ao trimestre anterior, apesar do cenário de juros altos que dificulta investimentos. Já o setor de serviços ficou estável.

Consumo das famílias desacelera

Um dos pontos mais preocupantes do relatório foi a estabilidade no consumo das famílias, que vinha sendo um dos principais motores da economia brasileira. Apesar das baixas taxas de desemprego e do aumento da renda do trabalhador, o endividamento crescente das famílias parece estar limitando o potencial de consumo. Segundo Monteiro, “apesar de o brasileiro estar ganhando mais e estar mais empregado, também está mais enforcado, porque a inadimplência está crescendo”.

“O crescimento que a gente via nos últimos trimestres foi deixado um pouco de lado no consumo das famílias do Brasil, tivemos basicamente estabilidade, apesar das baixas taxas de desemprego e do aumento da renda”, apontou o analista.

Por outro lado, o consumo do governo subiu 1,3% no trimestre, ajudando a manter a economia em território positivo. A formação bruta de capital fixo, que representa os investimentos em infraestrutura, cresceu 0,9%. As exportações também registraram desempenho positivo, superando o crescimento das importações, o que contribui para o saldo da balança comercial.

Perspectivas para o último trimestre

De acordo com Gabriel Monteiro, a tendência de desaceleração deve se manter no último trimestre do ano, entre outubro e dezembro. “A economia está assentando, está perdendo fôlego. Isso aqui deve se repetir para o último trimestre do ano”, afirmou o analista durante o programa.

O cenário econômico atual coloca pressão sobre o Banco Central em relação à política monetária. Enquanto o governo pressiona por uma redução nas taxas de juros para estimular a economia, o Banco Central mantém postura cautelosa, visando garantir que a inflação convirja para a meta de 3%. Segundo especialistas do mercado, é possível que os cortes nas taxas de juros comecem apenas no início de 2026, possivelmente entre janeiro e março.

“O Banco Central, quando toma uma decisão, ele não olha para o agora, olha para o futuro, porque uma elevação ou um corte de juros faz efeito daqui oito ou 12 meses”, afirma Monteiro.

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Fonte : CNN

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