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A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 ganhou novos contornos no cenário político brasileiro, com parlamentares e o Partido dos Trabalhadores utilizando o tema como plataforma eleitoral, apesar das dificuldades para sua implementação efetiva. A análise é de Isabel Mega, ao Live CNN.

Os próprios parlamentares consideram improvável que a proposta avance de forma consistente no Congresso Nacional. “Parlamentares avaliam que dificilmente esse assunto vai conseguir um avanço mais robusto”, afirmou Mega, destacando que a proposta original já sofreu adaptações ao longo das discussões.

Inicialmente apresentada pela deputada Erika Hilton como uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a ideia prévia a redução da jornada de trabalho do formato 6×1 para um formato intermediário. No entanto, a própria parlamentar adaptou seu discurso posteriormente, sugerindo um formato 5×2, menos radical que a proposta original de 4×3, buscando maior viabilidade política.

“Ela foi adaptando o discurso dela, porque parlamentares vão buscar aquilo que é factível de ser aprovado, então não é a ideia original de tudo. Então, no final das contas, essa é uma pauta que sim, tem uma chance de avançar, mas o tempo está muito curto e, ao mesmo tempo, você tem a influência dos lobbies”, apontou a analista.

Tramitação e obstáculos

O processo de tramitação da proposta seguirá um caminho complexo no Congresso Nacional. Após ser enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo presidente da Câmara, Hugo Mota, a matéria precisará passar por uma comissão especial antes de chegar ao plenário, o que indica um processo lento e burocrático.

Um dos principais obstáculos para o avanço da proposta é a forte pressão do setor produtivo, que exige contrapartidas do governo para aceitar qualquer mudança na jornada de trabalho. Esse embate entre interesses econômicos e direitos trabalhistas tem tornado o debate ainda mais complexo.

O governo, por sua vez, planejava enviar um projeto próprio sobre o tema e, segundo Isabel Mega, Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, enfatizou que o governo não desistiu desse plano, demonstrando interesse em manter o controle sobre a narrativa da proposta.

“A ideia era trabalhar o mesmo tema, mas, mandar com uma urgência constitucional e isso aceleraria a tramitação dessa proposta no Congresso Nacional – porque o governo está preocupado com o tempo disso“, explicou Isabel Mega, acrescentando: “Discutir via PEC é um caminho muito mais árduo e complexo e longo”.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 tornou-se uma pauta de engajamento tanto para o governo quanto para o Congresso Nacional, especialmente em um ano eleitoral. No entanto, o curto prazo legislativo e a complexidade do tema indicam que, apesar da mobilização política, os avanços concretos podem ser limitados diante das pressões econômicas e dos trâmites burocráticos do processo legislativo.

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Fonte : CNN

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