Os líderes europeus se preparam nesta sexta-feira (13) para o que deve ser um encontro tenso na Conferência de Segurança de Munique no fim de semana. O evento reúne autoridades de todo o mundo para discutir a segurança internacional e realizar negociações diplomáticas.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, discursou na conferência e afirmou que a ordem mundial internacional “já não existe”, destacando a crescente divisão entre os Estados Unidos e a Europa.
O líder alemão alertou que a liberdade da Europa “já não é garantida”, em uma era em que as grandes potências ignoram as regras internacionais. Merz também condenou a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, pedindo à Europa para que invista no seu próprio poder dissuasão.
O chanceler criticou abertamente o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, pelas suas políticas sobre tarifas, mudanças climáticas e guerras culturais – declarações que podem irritar Washington.
Mas no que diz respeito ao fim da antiga ordem mundial, o governo dos EUA parece estar em sincronia com o líder alemão. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse na noite de quinta-feira (12), ao partir para Munique, que “o velho mundo acabou, francamente” e que “vivemos em uma nova era na geopolítica”.
“Vai exigir que todos nós reexaminemos como será isso e qual será o nosso papel”, acrescentou Rubio, observando também que a Europa é importante para os EUA. “Acho que eles querem honestidade. Eles querem saber para onde estamos indo, para onde gostaríamos de ir, para onde gostaríamos de ir com eles.”
No dia seguinte, Merz foi honesto na sua avaliação da relação transatlântica: “Abriu-se uma divisão entre a Europa e os Estados Unidos”, disse o chanceler, lamentando o fim de uma ordem mundial internacional baseada em direitos e regras.
“A reivindicação de liderança dos Estados Unidos foi contestada e possivelmente perdida”, disse ele.
Merz apresentou uma espécie de recusa ao discurso combativo proferido pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, na conferência de segurança do ano passado. Em 2025, Vance criticou os políticos europeus, alegando que estavam reprimindo a liberdade de expressão, perdendo o controle da imigração e se recusando a trabalhar com partidos de ultradireita no governo.
Um ano depois, Merz respondeu, dizendo: “A batalha das culturas do MAGA nos EUA não é nossa. A liberdade de expressão, aqui (na Alemanha), termina onde as palavras proferidas são dirigidas contra a dignidade humana e a nossa lei básica”.
“Não acreditamos em tarifas e protecionismo, mas sim no livre comércio”, acrescentou Merz, uma frase que foi recebida com fortes aplausos.
“Aderimos aos acordos climáticos e à Organização Mundial da Saúde, porque estamos convencidos de que os desafios globais só podem ser resolvidos em conjunto”, disse ele, sob mais aplausos.
As declarações vem após o governo Trump ter aumentado as tarifas sobre a União Europeia e o Reino Unido em 2025, bem como ter retirado o país do acordo climático de Paris e a OMS.
O chanceler alemão também discursou em inglês, com um alerta sério dirigido à liderança dos EUA, mas também um pedido de reparação das relações transatlânticas.
“Na era da rivalidade entre grandes potências, nem Estados Unidos serão suficientemente poderosos para agir sozinhos”, advertiu Merz. “Queridos amigos, fazer parte da Otan não é apenas uma vantagem competitiva da Europa, é também uma vantagem competitiva dos Estados Unidos.”
Merz e o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, se reuniram à margem da conferência nesta sexta-feira para discutir a guerra na Ucrânia e o estado das negociações com a Rússia para pôr fim ao conflito, segundo fontes governamentais dos EUA e da Alemanha.
Rubio expressou apreço pelo forte apoio da Alemanha à Ucrânia, incluindo os 76 bilhões de dólares em ajuda desde 2022, disse o porta-voz adjunto do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott.
Ao falarem sobre o papel da Europa na Otan, Rubio reconheceu os esforços da Alemanha para fortalecer a aliança, disse uma fonte do governo alemão à CNN.
Os dois abordaram uma série de outros desafios globais urgentes, incluindo a situação no Irã e questões comerciais antes da viagem de Merz à China, agendada para o final deste mês.
Merz também fez uma reunião bilateral com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na conferência deste ano para discutir a guerra e os esforços de cooperação armamentista, disse a fonte alemã à CNN.
O fórum acontece poucas semanas depois de outra tensa reunião de líderes mundiais em Davos, na Suíça, na qual Trump fez um discurso criticando os líderes europeus pela sua política de migração e afirmando que os EUA tinham sido explorados pelos aliados europeus.
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Fonte : CNN